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Neruda, suas casas, seu amor e a Feira do Livro

Neruda e sua poesia fazem parte de minha vida através de minha mãe. Ela sempre foi uma enamorada da Lua, da vida, da poesia, de Neruda. Com ela aprendi que Temuco era uma cidade no Chile onde chovia 364 dias por ano e em que se sobrevivia escrevendo poemas. Por ela sempre que via um livro de e sobre Neruda lá ia ele para a nossa biblioteca. Nessa 60 feira do livro não seria diferente.

Nossos livros de e sobre Pablo Neruda - faltando alguns que estão emprestado
Minha vida com Pablo Neruda de Matilde Urrutia, com quem Neruda viveu uma história de amor, paixão e cumplicidade até o fim de sua vida.

Lembrar Neruda e Matilde é lembrar de um filme lindo que vi uns anos atrás e que me marcou muito, o Carteiro e o Poeta. Baseado em um livro e ambientado em Isla Negra, no Chile, no filme a ação se passa em Capri, aquela ilha de sonho no Sul da Itália, que tanto significado afetivo tem para mim. Neruda e Matilde se casaram ali, a Lua os casou já que pelas leis da terra não o poderiam fazer, casado que era Pablo com outra mulher. Mas para o Amor as leis terrenas nada valem, já que "aquilo de Deus uniu, homem nenhum separa..."


Lógico que comecei a ler. Ler não, sorver o livro, a história que não mostra apenas a vida de um homem e uma mulher apaixonados. Mostra suas casas, seus espaços, os encontros, a beleza, o terror. 

Neruda sempre foi homem político, engajado e por isso mesmo perseguido por quem pensava diferente dele. Já famoso, Nobel de literatura, teve sua casa invadida, saqueada, violada por quem, não tendo mais que violência, tentava assim calar sua voz, sua poesia, suas ideias. Como coisa que ideia se calasse. Elas não morrem nem com a morte de quem fala. E foi bem o que aconteceu com o poeta. Morreu. Se foi acelerada sua morte ou se se deixou morrer já nem importa. Nem sempre é preciso ter o dedo no gatilho para se fazer o coração de alguém congelar. 
Fui em busca de suas casas, as casas de Neruda, seus espaços de viver suas ideias, suas paixões, seu modo especial de ser. Bem como devem ser as nossas casas. Nosso local de refletir quem somos e como queremos viver.

La Chascona, a casa de Santiago que Neruda faz para sua amada quando ainda se viam em segredo, a casa que foi destruída em 1973, no golpe militar no Chile, a casa que abrigava tanto amor e segurança para Matilde e que nos choca, no inicio do livro, sentir pelas suas palavras a sua mutilação.

Mas que hoje se encontra restaurada e podemos visitar e ver pelos seus espaços como viviam e como se amavam. Para saber mais sobre as suas casas veja o documentário Confesso que vivi - as casas de Neruda (em espanhol)

Estou mergulhada na leitura. Porque ler para mim exige essa entrega. Preciso estar dentro do livro. Para uma pessoa acostumada a fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo, esse foco é um balsamo. Quando um livro me pega, é como uma história de amor, não consigo me desgrudar até terminar. E quando termina fico meio viúva, querendo saber mais, pesquisando mais, querendo fazer com que as páginas continuem e a história continue acontecendo.

A proposito de fazer várias coisas ao mesmo tempo, lembro de ter dito para um namorado, motoqueiro, que queria me dar um beijo enquanto dirigia: "Nunca se deve fazer duas coisas ao mesmo tempo. Uma não se faz bem...". Não sei de onde tirei essa frase, mas ela é super verdadeira. Eu tento me lembrar dela, porque tenho muita dificuldade de segui-la...   

Só complementado sobre a 60 Feira do Livro de Porto Alegre, achei bem interessante uma série de comodidades para os plugados. Vários estantes com locais onde recarregar os celulares e tablets. Um espaço de Sustentabilidade, todo feito com madeiras sintéticas produzidas com plástico reciclado.

As crianças recebem sempre uma atenção especial, com área de barracas e espaços pensados para que possam brincar, ouvir histórias e entrar em contato com as letras e livros de forma super divertida.
Este ano a Feira está mais fluída até porque a Praça da Alfandega, onde se localiza, está restaurada e as barracas foram montadas levando em conta essa reforma. A cobertura das barracas, por exemplo, foi fixada com ganchos para não danificar os belos pavimentos de pedras portuguesas.

A atenção à acessibilidade foi outro item muito cuidado no projeto arquitetônico que se preocupou em eliminar barreiras físicas que pudessem dificultar a visita de pessoas com deficiência e idosos. Há empréstimos de cadeiras de rodas, visitas guiadas para cegos e surdomudos e auxílio com tradução em libras.

Fonte das fotos Pinterest Casas de Pablo Neruda

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