Lógico que comecei a ler. Ler não, sorver o livro, a história que não mostra apenas a vida de um homem e uma mulher apaixonados. Mostra suas casas, seus espaços, os encontros, a beleza, o terror.
Neruda sempre foi homem político, engajado e por isso mesmo perseguido por quem pensava diferente dele. Já famoso, Nobel de literatura, teve sua casa invadida, saqueada, violada por quem, não tendo mais que violência, tentava assim calar sua voz, sua poesia, suas ideias. Como coisa que ideia se calasse. Elas não morrem nem com a morte de quem fala. E foi bem o que aconteceu com o poeta. Morreu. Se foi acelerada sua morte ou se se deixou morrer já nem importa. Nem sempre é preciso ter o dedo no gatilho para se fazer o coração de alguém congelar.
Fui em busca de suas casas, as casas de Neruda, seus espaços de viver suas ideias, suas paixões, seu modo especial de ser. Bem como devem ser as nossas casas. Nosso local de refletir quem somos e como queremos viver.
La Chascona, a casa de Santiago que Neruda faz para sua amada quando ainda se viam em segredo, a casa que foi destruída em 1973, no golpe militar no Chile, a casa que abrigava tanto amor e segurança para Matilde e que nos choca, no inicio do livro, sentir pelas suas palavras a sua mutilação.
Mas que hoje se encontra restaurada e podemos visitar e ver pelos seus espaços como viviam e como se amavam. Para saber mais sobre as suas casas veja o documentário Confesso que vivi - as casas de Neruda (em espanhol)
Estou mergulhada na leitura. Porque ler para mim exige essa entrega. Preciso estar dentro do livro. Para uma pessoa acostumada a fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo, esse foco é um balsamo. Quando um livro me pega, é como uma história de amor, não consigo me desgrudar até terminar. E quando termina fico meio viúva, querendo saber mais, pesquisando mais, querendo fazer com que as páginas continuem e a história continue acontecendo.
A proposito de fazer várias coisas ao mesmo tempo, lembro de ter dito para um namorado, motoqueiro, que queria me dar um beijo enquanto dirigia: "Nunca se deve fazer duas coisas ao mesmo tempo. Uma não se faz bem...". Não sei de onde tirei essa frase, mas ela é super verdadeira. Eu tento me lembrar dela, porque tenho muita dificuldade de segui-la...
Só complementado sobre a 60 Feira do Livro de Porto Alegre, achei bem interessante uma série de comodidades para os plugados. Vários estantes com locais onde recarregar os celulares e tablets. Um espaço de Sustentabilidade, todo feito com madeiras sintéticas produzidas com plástico reciclado.
As crianças recebem sempre uma atenção especial, com área de barracas e espaços pensados para que possam brincar, ouvir histórias e entrar em contato com as letras e livros de forma super divertida.
Este ano a Feira está mais fluída até porque a Praça da Alfandega, onde se localiza, está restaurada e as barracas foram montadas levando em conta essa reforma. A cobertura das barracas, por exemplo, foi fixada com ganchos para não danificar os belos pavimentos de pedras portuguesas.
A atenção à acessibilidade foi outro item muito cuidado no projeto arquitetônico que se preocupou em eliminar barreiras físicas que pudessem dificultar a visita de pessoas com deficiência e idosos. Há empréstimos de cadeiras de rodas, visitas guiadas para cegos e surdo mudos e auxílio com tradução em libras.
Fonte das fotos Pinterest Casas de Pablo Neruda
sabiam que Neruda negou a existencia de uma filha com hidrocefalia?existe um livro em espanhol feito em homenagem a ela,o titulo é:mlava
ResponderExcluirNão sabia! Vou pesquisar! Abraços
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