A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós

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Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...

Por dentro do hospital

Recepção

Um dos projetos mais complexos para se fazer é de um hospital. Ele envolve uma logística que vai além da distribuição de quartos e espaços de tratamento. É um emaranhando de circulações, limpeza, descarte de resíduos que exige um conhecimento exato de como tudo isso funciona.


E para o paciente ? Só vivendo a experiência para saber. Eu só ganhei alta de hospital (ou seja, saí quando nasci), mas de 2005 para cá tenho vivido uma rotina de cuidar de pais idosos e isso exige uma permanência como usuário em um hospital. E é como usuária que vou tecer alguns comentários.


Primeiro. Obvio que vou falar de uma realidade que não é da maioria do povo brasileiro. Estou falando de hospitais privados para quem possui um bom plano de saúde. Ressalva feita, aos comentários. 


Circulação de andar
Os hospitais hoje são ambientados para que lembrem hotéis para afastar essa ideia de doença. O que funciona em parte porque rotina de quem fica confinado em um quarto é angustiante sempre. As cores podem e devem ser usadas para trazer tranquilidade ao paciente. Um bom sistema de sinalização também é importante. No caso desse hospital em particular, é interessante ver como as reformas se sucederam para otimizar um prédio mais antigo com o moderno que foi construído.  


Banheiro do quarto

No quarto. A disposição lembra a de hotéis. O banheiro, é obvio, tem cuidados para evitar quedas. Há um cuidado com adornos, quadros com imagens suaves ficam a frente da cama do paciente para que ele possa olhar para algo mais que o teto. Detalhes pequenos, mas que ajudam a passar o tempo. E tempo custa demais a passar lá dentro !


  
Faixas em mdf ajudam a proteger as paredes dos deslocamentos de camas e aparelhos o que facilita a manutenção.  
O teto. Pois é. Eu tenho uma certa bronca com tantas sancas. Fica bonito, mas me parece difícil de higienizar. E essa é uma das preocupações básicas de um ambiente como esse.

Vista da janela
O entorno. Nem sempre a vista da janela é a mais bonita. No nosso caso dava para a parte antiga do hospital, estacionamento e...toda a área da infra. Ou seja, o coração do sistema, o que faz o prédio funcionar. E que nem sempre é bonito de se ver, mas que deve ser funcional ao extremo.

E outro ambiente que acho muito interessante é o restaurante. Nem tanto pela comida que em, que não é ruim. Mas pelo detalhe da junção entre os dois prédios que foi resolvida com uma estrutura metálica treliçada coberta por vidro. E juro que não consegui ver como funcionava o sistema de calhas. Mas o que posso dizer é que o ambiente com luz natural é um oásis para cuidadores, médicos e demais pessoas envolvidas com o processo de cura.
Restaurante

Faltam os créditos de projeto e interiores do hospital. Quando achar complemento.


E ahhh...o cuidador. Esse tem que ter saúde de ferro, resistência para dormir em um sofá estreito, paciência para deixar de pensar em si e ficar atento às necessidades do paciente.


E se for levar um note (sim, tem wireless nos quartos) tem que se preocupar com a postura e na posição em que vai usa-lo. Dicas AQUI

Comentários

  1. O Mãe sofreu uma reforma absurda anos atrás para justamente deixar de ser um hospital e ser um hotel, buscando saude e recuperação. Há quem critique tanto conforto, há quem goste.
    Particularmente, embora trabalhe no entorno, odeio estar em um hospital com cara e cheiro de hospital.
    As vezes muito luxo requer contenção de despesas, e isso acaba batendo de frente justamente onde nao poderia - cuidados com o paciente - cliente.
    Beijos

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  2. Tem esse outro lado também. A última vez em que estive lá como acompanhante (foi em 2010 acho) eu critiquei a parte administrativa no folheto de satisfação do cliente/paciente. Estava tudo muito desorganizado. Esse ano já me pareceu melhor.

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  3. Do hospital em que meu pai ficou internado neste ano, só fiquei um pouco descontente com o elevador que demorava e demorava e demorava.

    Boa Noite!

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  4. Então é meio regra geral. Nesse onde ficamos também demora. E é pequeno. Mas no prédio velho. No novo eles já são maiores, mas não atendem todos os andares. Acho que por questão de segurança interna, os grande elevadores foram fechados para os andares de internação e só atendem os exames.
    Abraços

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  5. E teve um dia que parou, ainda bem que eu não estava lá.

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  6. Parou ? O elevador ? Aí é bem complicado.não é mesmo? A manutenção é um ponto crucial em elevadores.
    Abs

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