O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Obra de Lelé em São Carlos

Sempre admirei o trabalho do Arquiteto carioca João Filgueiras Lima. Mais conhecido por Lelé, ele é famoso pelos projetos que utilizam sistemas construtivos pré-fabricados. Bons exemplos são os CIEPs no Rio de Janeiro e os hospitais da Rede Sarah Kubitschek. 

Lelé doou o ante-projeto do Hospital Escola de São Carlos em 2004. Com um moderno sistema  de iluminação e ventilação naturais, o hospital vai abrigar ainda um centro de estudos para atender não só alunos dos cursos de saúde da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mas também alunos de outras instituições. Fonte 




Segundo o site Guia da Construção a infra e superestrutura de concreto responderá por 8,17% do orçamento do empreendimento, enquanto alvenaria, divisórias e painéis, por 3,17% do custo. Além disso, a estrutura em sheds curvos proporciona uma ventilação natural por convecção cuja vazão de ar pode ser ainda complementada, quando necessário, por ventiladores instalados em entradas de ar situadas sobre um espelho d'água. Combinado com microaspersores com controle de vazão, o espelho resfria e umidifica o ar. "A partir dos dutos de adução, o ar passa pelo piso técnico, de onde, através de passagens na laje de piso, é insuflado nos ambientes do hospital por meio de 'dumpers' instalados nas divisórias de gesso acartonado estruturado", explica o engenheiro Vaico. A vazão de ar é controlada pelas venezianas horizontais motorizadas que formam os forros dos ambientes internos.

Um dos diferenciais da obra é que o projeto arquitetônico permite que o ar interno do hospital seja renovado de dez a 12 vezes a cada hora, deixando a climatização artificial apenas para ambientes onde as normas técnicas assim o exigem. 

O arquiteto e urbanista Luciano C. Butignon que trabalha na execução do hospital em São Carlos nos cedeu algumas fotos para que pudéssemos compartilhar aqui no blog.
























E para quem quiser saber mais sobre a obra de Lelé pode conferir no livro abaixo

Arquitetura - Uma experiência na área de saúde

Romano Guerra, São Paulo; 1ª edição, 2012
patrocínio: Usiminas e Holcim

Comentários

  1. Olá,

    Meu irmão mora em São Carlos e estuda na Ufscar.Já paasei várias vezes em frente a esta construção e não sabia que era do Lelé...adorei a novidade, agora sou mais fã ainda...rs.

    Bjos.
    www.casadebora.blogspot.com.br

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  2. O colega Luciano fez a gentileza de mandar as fotos dessa bela obra. Legal, mesmo. Que bom que o blog serviu para disseminar essa informação.

    Beijos

    Elenara

    ResponderExcluir

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