O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Habemus Conselho próprio !

Durante muitos anos uma abnegada e guerreira turma de arquitetos lutou para ter um Conselho próprio. Entre esses, meu grande amigo Arquiteto e Urbanista Oscar Müller. O conheci como moderador de uma lista de Arquitetura que continua operante e onde acontecem belos debates sobre a profissão. Pedi então a ele que escrevesse algo nesse momento tão significativo para nós arquitetos. E abaixo seguem suas palavras:


"Brindemos, o CAU saiu.

Enfim deixamos de ter nossa profissão regulamentada por outros profissionais. Demorou, um parto de 52 anos! Houve quem batalhou a vida toda pela bandeira, gente incansável como o saudoso Kneesse de Mello, criador do slogan "Arquitetura, atribuição de arquiteto." (de quem tive a sorte de ser aluno), aliás o CAU bem poderia lhe prestar a homenagem adotando formalmente o slogan...

Daqui para a frente seremos nós a regulamentar nossa profissão, e o olhar sobre a questão ganha cores até agora tratadas como supérfluas, nós é que decidiremos o que é lícito ou não na prática profissional. Aspectos como insolação, salubridade, conforto, acessibilidade, respeito ao ambiente, adequação ao entorno e às necessidades do usuário, sustentabilidade, entre muitas outras "coisinhas de somenos", podem passar a ser mais importantes do que apenas atender às demandas mercadológicas.

Claro que para fazer acontecer esta mudança será preciso a nossa vontade e ação, temos que participar, incidindo para que a entidade seja forte, atuante e combativa, mas se logramos fazê-lo, ganhamos nós, os arquitetos e urbanistas, mas principalmente ganhará a sociedade, a cidade, o transeunte, o usuário...

O que foi até agora um sonho impossível, se tornou uma perspectiva factível. Certo que há muito chão a percorrer nestes caminhos, temos que nos apressar para recuperar o tempo perdido e a assumir a posição de vanguarda que nos é inerente, mas nos livramos do cabresto, e agora só dependemos de nós mesmos.

Guardarei em bom escaninho a memória deste momento, com o Lula fechando o mandato com chave de ouro para nós, arquitetos."

Oscar Müller Arquiteto e Urbanista (dez/2010)


Comentários

  1. Desejo a você um ano repleto de muitas realizações, sucesso, saúde e paz!

    Feliz 2011!

    Foi um prazer acompanhar o seu blog em 2010.

    Bjs!

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  2. Sucesso em 2011.Lula fez muitas coisas boas. Não é a toa que saiu com uma popularidade de mais de 80%Quem quiser que fale mal, mas gostei do governo feito por ele. Bom domingo.

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  3. necessario verificar:)

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