Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

Imagem
Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Habemus Conselho próprio !

Durante muitos anos uma abnegada e guerreira turma de arquitetos lutou para ter um Conselho próprio. Entre esses, meu grande amigo Arquiteto e Urbanista Oscar Müller. O conheci como moderador de uma lista de Arquitetura que continua operante e onde acontecem belos debates sobre a profissão. Pedi então a ele que escrevesse algo nesse momento tão significativo para nós arquitetos. E abaixo seguem suas palavras:


"Brindemos, o CAU saiu.

Enfim deixamos de ter nossa profissão regulamentada por outros profissionais. Demorou, um parto de 52 anos! Houve quem batalhou a vida toda pela bandeira, gente incansável como o saudoso Kneesse de Mello, criador do slogan "Arquitetura, atribuição de arquiteto." (de quem tive a sorte de ser aluno), aliás o CAU bem poderia lhe prestar a homenagem adotando formalmente o slogan...

Daqui para a frente seremos nós a regulamentar nossa profissão, e o olhar sobre a questão ganha cores até agora tratadas como supérfluas, nós é que decidiremos o que é lícito ou não na prática profissional. Aspectos como insolação, salubridade, conforto, acessibilidade, respeito ao ambiente, adequação ao entorno e às necessidades do usuário, sustentabilidade, entre muitas outras "coisinhas de somenos", podem passar a ser mais importantes do que apenas atender às demandas mercadológicas.

Claro que para fazer acontecer esta mudança será preciso a nossa vontade e ação, temos que participar, incidindo para que a entidade seja forte, atuante e combativa, mas se logramos fazê-lo, ganhamos nós, os arquitetos e urbanistas, mas principalmente ganhará a sociedade, a cidade, o transeunte, o usuário...

O que foi até agora um sonho impossível, se tornou uma perspectiva factível. Certo que há muito chão a percorrer nestes caminhos, temos que nos apressar para recuperar o tempo perdido e a assumir a posição de vanguarda que nos é inerente, mas nos livramos do cabresto, e agora só dependemos de nós mesmos.

Guardarei em bom escaninho a memória deste momento, com o Lula fechando o mandato com chave de ouro para nós, arquitetos."

Oscar Müller Arquiteto e Urbanista (dez/2010)


Comentários

  1. Desejo a você um ano repleto de muitas realizações, sucesso, saúde e paz!

    Feliz 2011!

    Foi um prazer acompanhar o seu blog em 2010.

    Bjs!

    ResponderExcluir
  2. Sucesso em 2011.Lula fez muitas coisas boas. Não é a toa que saiu com uma popularidade de mais de 80%Quem quiser que fale mal, mas gostei do governo feito por ele. Bom domingo.

    ResponderExcluir
  3. necessario verificar:)

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Sua opinião é super importante para nós ! Não nos responsabilizamos pelas opiniões emitidas nos comentários. Links comerciais serão automaticamente excluídos

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Processo da Arquitetura

DIREITO À PAISAGEM