O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

Imagem
Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Comunidade sustentável - pensando no futuro

Algumas vezes falamos entre amigos em projetar uma comunidade para irmos morar em boa companhia e com toda a dignidade quando formos mais velhinhos. E não é algo muito longe não.

Sabem que é uma ideia bem pertinente. Em geral não queremos pensar muito nisso. Existem opções de asilos ou casas de repouso, como quiserem chamar. Minha mãe costumava apelidar de depósito de velhos. E olhando para alguns, não há como não pensar que são exatamente isso. Poucos locais oferecem oportunidades de uma vida digna para quem já viveu tanto. Já mostrei aqui uma proposta para quem sofre de demências (e elas são uma triste realidade para muitos). Mostrei também um Centro de Vida com design sustentável. E até mesmo um refúgio urbano que poderia se adequar à uma possibilidade de comunidade futura.

Me lembrei dessa ideias ao ver essa comunidade de casas sustentáveis e pequenas que um grupo de americanos fez no Texas. Se aproximou bastante do que imaginávamos em termos de construções que fossem ambientalmente mais corretas. E gostei particularmente da proposta de viver sem acumular tanto. 


Eles se reuniram, compraram um terreno rural, contrataram o arquiteto Matt Garcia e construíram a comunidade que conta com mini casas com espaços individuais. E um espaço comunitário onde possam ocorrer as trocas.
 

Os telhados com inclinação central, que lembram as construções dos anos 50/60, recolhem as águas para um coletor pluvial. O revestimento em metal galvanizado com isolante térmico ajuda a reduzir o calor do clima local no verão ao mesmo tempo em que ajuda a manter um clima mais aquecido no interior durante o tempo mais frio.  

Reunir uma turma de veteranos com propostas de vida semelhantes talvez seja uma boa alternativa para uma futuro não muito distante. De pensar.
 
 

Fonte



Twitter: @arqsteinleitao





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Calungas, a representação da escala nos desenhos

Arte com resíduos no canteiro de obras - Mestres da Obra