O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

A impermanência na arquitetura: um símbolo da mudança e da fluidez

Guandu nature park

A arquitetura é frequentemente associada à ideia de permanência. Os edifícios são construídos para durar, para resistir ao teste do tempo. No entanto, a impermanência também é uma parte inerente da arquitetura. Os materiais se degradam, as estruturas mudam e os espaços se transformam.

O conceito de impermanência está ligado à ideia de que nada é permanente ao longo do tempo. As causas e as condições mudam constantemente e o seu resultado também varia.
A impermanência pode ser simbolizada de diversas maneiras na arquitetura. Uma abordagem é o uso de materiais naturais, como madeira, bambu e fibras vegetais. Esses materiais são vivos e orgânicos, e estão sujeitos à ação do tempo. A madeira, por exemplo, pode envelhecer graciosamente, desenvolvendo uma pátina que lhe confere um charme único.


Outra abordagem é o uso de estruturas temporárias. Essas estruturas são projetadas para serem desmontadas ou reconstruídas em um futuro próximo. Elas podem ser usadas para eventos especiais, como festivais ou exposições, ou para atender a necessidades temporárias, como alojamento de refugiados.
 Serpentine Gallery Pavilion 2013,  escritório Sou Fujimoto Architects

blue spiral © Gill Hobson 2011

A impermanência também pode ser simbolizada através do uso de espaços fluídos e flexíveis. Esses espaços podem ser reconfigurados para atender a diferentes necessidades, à medida que as circunstâncias mudam. Por exemplo, uma sala de estar pode ser convertida em um escritório ou em uma sala de jantar, dependendo da ocasião.

A impermanência é um tema importante na arquitetura contemporânea. Ela reflete a nossa compreensão da natureza mutável do mundo. A arquitetura impermanente pode ser uma forma de celebrar a mudança e a fluidez, e de criar espaços que são mais adaptáveis às necessidades das pessoas.
Margot Krasojevic

YEZO by LEAD: Um santuário no Japão

A impermanência é um tema complexo e multifacetado, e pode ser interpretado de diversas maneiras. Como você a sente? Na sua vida? Nos seus espaços?

Comentários

  1. Num mundo em que tudo muda tão rapidamente, a flexibilidade dos espaços é uma necessidade. A arquitetura dos indígenas é um exemplo muito rico em soluções orgânicas que podem ser desmontadas e substituídas (ou transferidas) rapidamente.

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