Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Foto de arquitetura premiada


Um tempo atrás, não muito, mas antes da pandemia, li sobre um desafio para um concurso de fotografias arquitetônicas pelo portal Architizer. Era o 
2020 One Photo Challenge.

Um adendo para falar sobre fotos e arquitetura. São lindas, é uma forma de expressão artística que valoriza as obras dos arquitetos, além de ser uma forma de venda impressionante. Mas se forem reparar bem, as fotos em sua maioria retratam espaços sem pessoas. É como se fossem maquetes 3D feitas na realidade. 

A presença das pessoas sempre traz o aspecto de humanidade, de mundo real, de escala às fotos. Desperta emoções que a simples presença dos prédios não o faz. Vejam o exemplo de uma das duas vencedoras que está acima. É da categoria Não Aluno: “Women Gather” de Bruce Engel ( BE_Design ).

O ângulo em que foi tirada e a presença das pessoas valorizam o projeto de Sharon Davis Design, o Centro de Oportunidades para Mulheres. Um centro multifuncional que ajuda mulheres vítimas de guerra em Ruanda. Os tijolos que conformam esse local fotografado foi produzido pela cooperativa feminina e o local ajuda a que mais mulheres possam, através de um espaço projetado por mulheres, seguindo técnicas tradicionais da região, executado por mulheres, e usado para que elas possam aprender em um local seguro e que lembra de certa forma um útero que gera vida.

“A arquitetura na fotografia não pode permanecer impessoal; não podemos confiar na luz e no ângulo perfeitos, precisamos mostrar o inesperado e contar uma história. ” Ema Peter - jurada

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