A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

Imagem
  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Uma linguagem universal onde todos somos fluentes. E você talvez nunca tenha se dado conta disso

Nesse nosso mundo de Babel com distâncias virtuais curtas e acesso físico facilitado (se você tem dinheiro e não é refugiado), a comunicação direta e rápida é um atrativo instantâneo. Saber várias línguas ajuda bastante, ter um tradutor simultâneo (sempre lembro de Star Trek e do seu tradutor universal...) mas e se eu te dissesse que sim, existe uma linguagem de alcance poderoso onde todos somos fluentes?

Tudo bem, confesso, eu também nunca me tinha dado conta até escutar esse TED Talk onde o ilustrador Christoph Niemann falou sobre ela.



Já captou qual é??? 

A poderosa linguagem das imagens!!!

Imagine-se chegando em um aeroporto na China. Sem interprete e digamos que não existam traduções para o inglês. E deu uma dor de barriga??? Vai dizer que o pictograma de banheiro não é a imagem mais maravilhosa que você já teria visto na vida???

Então vemos que as imagens comunicam de maneira rápida e eficiente. E sim, nos despertam emoções sem palavras ou letras!
Para atingir essa comunicação artistas e profissionais do design pensam muito porque toda a simplicidade de um traço passa por muita pesquisa, aprofundamento e necessitam conhecer a bagagem cultural e vocabulário de um povo, de uma época, de um local para atingir aquele momento de encontro que vai fazer o usuário sentir a imagem dentro de si. Isso faz a diferença entre um risco e uma imagem que desperta empatia. Aí se estabelece a magia.

Na Arquitetura o processo não difere muito. Talvez o produto criado não precise ser tão sucinto, mas a imagem deve falar por si para criar essa interação com o cliente, que seja capaz de faze-lo enxergar dentro dele o espaço que será construído.

Em tempos de tecnologia 3D, com possantes equipamentos que fazem as pessoas entrarem em ambientes que será reais no futuro, essa magia do dialogo criativo entre arquiteto e cliente se faz mais fácil. Mas até que isso se torne realidade para todos, e talvez seja uma utopia para um futuro mais distante, o saber se expressar por imagens é um potencial diferenciador estratégico. 



Gostou? Compartilhe em suas redes sociais Nos siga também nos outros canais

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Arte com resíduos no canteiro de obras - Mestres da Obra

Calungas, a representação da escala nos desenhos