Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Arquitetura para ser "Instafriendly" e a obra de Bjarke Ingels

Nossa maneira de projetar estará sendo diretamente influenciada pela massiva exposição das imagens em redes sociais? É a indagação que faz um texto muito interessante que acabei de ler e que chama-se "O instagram está mudando a maneira como projetamos o mundo?"  

E ele alerta que o design tanto de espaços como de objetos, mesmo de comida, está tomando lugar como preocupação e foco dos empreendedores preocupados em atrair não apenas mais clientes, mas também garantir uma propaganda as vezes gratuita das pessoas que postam essas imagens nas suas redes sociais. É o que denominam de espaços "Instafriendly". E lembremos dos painéis preparados para as fotos de muitos locais. Ou mesmo de espaços urbanos que garantem que a localização vai ser vista e reconhecida com grandes letreiros. 

E não apenas locais ou cidades, mas a própria maneira de vivenciar arte está sendo modificada pela intensa exposição que nos colocamos na vida digital.

Há estudos que mostram que uma grande parte das pessoas prefere interagir e se divertir que aprender em atividades culturais.  

E muitos grupos de arquitetos estão atentos ao mundo em que somos todos narcisos e precisamos de molduras para nossos que nossas imagens possam prosperar. No artigo é chamada a atenção para um desses grupos:

.... a tendência de documentar tudo o que vemos online levou alguns arquitetos a brincar com escala e forma para chamar a atenção...o Bjarke Ingels Group (BIG) é apontada como uma empresa que lidera essa tendência - projetaram um hotel com uma pista de esqui em seu telhado, edifícios que parecem estar dançando juntos e um teatro em forma de arco. A mesma empresa projetou recentemente um prédio feito para se parecer com gigantescos blocos coloridos de Lego. “Para a arquitetura, [a tendência] é para formas mais escandalosas - o BIG tem jogado incrivelmente bem, e você viu empresas menos conhecidas pegando isso.”
Já tinha falado sobre esse jovem arquiteto dinamarquês em dois artigos aqui do blog: 3 Histórias de Arquitetura e De como a sustentabilidade pode ser lúdica.

Abaixo algumas obras do escritório de Bjarke Ingels, também chamado de BIG
78&Park na Suécia - BIG Group


Housing na Suécia - BIG Group

Vancouver House - BIG Group

Bjarke Ingels Group - 8 House

Hualien Residences in Taiwan - The BIG Group

Prédio CUDO - BIG Group

Casas modernas - BIG Group


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