Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

Imagem
Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Camuflando a casa na floresta

Uma casa de vidros, com uma visão magnifica da natureza como se dela fizesse parte. E para isso se camufla de espelhos fazendo com que dela pouco se enxergue. Mas o que se vê já compensa todo o projeto.

Quando vi este projeto de Tatiana Bilbao Estudio na Yatzer me apaixonei. Um perfeito refúgio em uma encosta mexicana onde juro que moraria eternamente.  




Na verdade a casa é feita de três volumes separados que abrigam diferentes funções. Cada prédio é feito com diferentes materiais: vidro, terra e madeira.




O volume com espelhos no exterior tem o formato de uma casa tradicional, dessas de desenhos de crianças. Um volume com os telhados definidos que, não fosse o revestimento externo, seria considerada normal. Mas o espelho faz com que ela se confunda com o ambiente, apenas se revelando quando seu interior é aberto.

E que interior!


 Os quartos feitos com terra batida e tijolos de argila também se conformam com o ambiente externo de maneira harmônica, trazendo para o conjunto uma atmosfera que propicia ao relaxamento e desfrute de bons momentos.



  •  Veja AQUI outras usando espelho como revestimento.


Mas e os pássaros????

Sim, fico pensando que além da estética temos que pensar no custo ambiental de nossas intervenções arquitetônicas. Existem alguns produtos como o vidro que evita a colisão de pássaros, estudos foram feitos como o de Liana Cézar Barros, da Faculdade de Engenharia Mecânica da UNICAMP, chamado a ‘Morte de pássaros por colisão com vidraças’ (fonte), uso de adesivos, cortinas e até ângulos diferenciados para que os pássaros possam se orientar quanto às barreiras.

Fotos de Rory Gardiner

Gostou? Compartilhe em suas redes sociais 
Nos siga também nos outros canais


snapchat: arqsteinleitao 

Comentários

  1. GENTE, PELO AMOR DE DEUS!!! Como querer camuflar uma casa com vidros espelhados que refletem o exterior, ou seja, que vai dar às aves a impressão de que o meio ambiente continua. Como uma ave vai ver que há uma barreira física ali. É um verdadeiro assassinato. Uma insanidade. Terão que criar barreiras visuais para essas aves em toda a casa (de 5 em 5 cm), em todo o lugar que estão usando vidros (transparentes ou reflexivos/espelhados). Triste ver que o humano se presta a criar tal artefato sem pensar nas outras formas de
    vida.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Patrícia, é verdade. Várias de nossas intervenções na natureza acabam por prejudicar e até matar outras formas de vida. A comida é um exemplo. Prédios muito altos, outro. Há que se ter bom senso para estudar o meio ambiente e propor alternativas que minimizem os danos. Mas há que se lembrar que a própria natureza é feita de "assassinatos" e agressões entre espécies. Abraços e super obrigada pelo comentário tão sensível.

      Excluir

Postar um comentário

Sua opinião é super importante para nós ! Não nos responsabilizamos pelas opiniões emitidas nos comentários. Links comerciais serão automaticamente excluídos

Postagens mais visitadas deste blog

DIREITO À PAISAGEM

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Processo da Arquitetura

A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós