A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós

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Como arquiteta, tenho uma certa implicância com a ideia de que minha profissão seja apontada como algo que começa, e as vezes termina, essencialmente na estética. Talvez porque, depois de tantos anos de prática, trabalhando com espaços internos e externos, e as pessoas que ali vivem e circulam, tenha ficado cada vez mais evidente para mim que uma porta, uma escada, uma calçada ou uma janela podem interferir muito mais na vida de alguém do que aquilo que aparece nas fotografias dos projetos. Quando falamos de envelhecimento, isso fica ainda mais evidente. A realidade nos mostra que o Brasil está envelhecendo rapidamente. Aquela pirâmide etária que aprendemos a desenhar nos livros de geografia já não representa o país que temos. E ainda estamos tentando entender o que isso significa para as nossas casas, para as nossas cidades e para o sistema de saúde. Eu costumo pensar que há uma pergunta simples por trás de tudo isso: onde queremos envelhecer? A resposta da maioria das p...

Busca arquitetônica nas maquetes de Sou Fujimoto

Quando vemos a obra de um arquiteto pronta não imaginamos por quantas inspirações e exercícios ele passou em sua busca de formas. Na proposta da famosa casa de Cristal , por exemplo, tantas vezes mostrada em sites pelo mundo afora, o trabalho do arquiteto japonês Sou Fujimoto se apresenta em seu esplendor. Mas é na visão de suas maquetes experimentais que compreendemos a verdadeira poética da busca arquitetônica.


Recebi as fotos que o amigo Arly tirou na exposição na JAPAN HOUSE em São Paulo, chamada com o sugestivo nome de FUTUROS DO FUTURO. Nelas vemos em várias modelagens, com os mais diversos materiais, grandes sacadas de estudos da forma. Arquitetos e estudantes de Arquitetura entenderão. E sentirão em seus corações e mentes uma ternura pela extrema poesia da simplicidade.

O mais pesado dos fardos nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificante.(A insustentável leveza do ser - A leveza e o Peso
E por que esse trecho de literatura em uma postagem sobre maquetes experimentais em Arquitetura? Porque a poesia da vida permeia todas as artes. Porque a busca arquitetônica vai além da técnica construtiva. Porque a poética dos espaços fala de tantas emoções que nos calam fundo. Porque mesmo materiais banais podem exprimir filosofia.

Que as maquetes falem.









A arquitetura é o jogo sábio, correto e magnífico dos volumes dispostos sob a luz.Le Corbusier




Não acredito que se possa ensinar arquitetura, só se pode inspirar aos outros.Zaha Hadid
Imaginar é subir um tom na realidade. Gaston de Bachelard







Fotos de Arly de Lima

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