A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

10 espaços encantadores para a leitura

Do momento em que aprendi a ler. Lembro.

Meu pai costumava ler os gibis para mim. Era hábito sagrado. Os Tios Patinhas, Pato Donald e Zé Carioca faziam parte daquele ritual onde ele se deitava após o almoço e lia. E eu, escutava. Memorizava acho, como os livros que sabia de cor -e meu primo que fazia serviço militar e morava conosco tão bem sabia. Pulava as páginas e eu mais que ligeira, na empáfia dos três anos corrigia: Não, Flavinho! E desfiava a ladainha que já se cristalizara em minha mente.

Aos sete, já no colégio, aprendi de maneira tão gostosa. Com direito a teatrinho de marionetes. Não sei que método era. Nem sei se era algum ou invenção da professora daquele colégio público do interior do Rio Grande do Sul. Só sei que era muito bom.

Um dia deu o estalo! Lembro que disse para meu pai: não precisa mais ler, "paizinto*", eu já sei! Lembro também da desilusão dele ao perder a desculpa de ler os gibis. (Cá entre nós, acho que mais, acho que gostava sim daqueles momentos de ternura e cumplicidade de leitores. Tanto quanto eu.)

Ele me contou também do seu estalo! Quando descobriu que sabia unir aquelas letrinhas, lhe deu um troço! Começou a ler tudo o que havia na casa, frenético. e nunca mais parou de ler. Até o fim da sua (longa e maravilhosa vida!).

Era para ser só uma postagem sobre cantos de leitura. Acabou sendo uma lembrança/homenagem à ele. Vocês que amam seus pais, entenderão. Espero. 

De tanto ver meus pais lendo, acabamos todos nós, seus filhos, criando esse salutar hábito. E que foi passado para os netos e netas. E para os bisnetos. Ler é uma armadilha do bem!

E se a gente já lê em qualquer lugar, imagine quando criamos um espacinho especial e cheio de conforto para aconchegar nosso hábito de viajar pelas letras...     
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1- Uma poltrona gostosa me parece fundamental. E não precisa ser um espaço imenso. Um cantinho pequeno pode render um belo projeto.

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 2- Tem uma sacada? Melhor ainda! Sol e livros são uma combinação perfeita!
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 3- Aproveitar todos os espaços sempre é um coringa nas nossas casas. Aquele vãozinho abaixo da escada pode abrigar um mundo e pode até render leituras em boa companhia.
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 4- Outra ideia de cantinho na sacada ou jardim. Cheio de cor e inspiração. 
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 5- Falando em cor, ela é super bem vinda em tecidos alegres e luminárias em cores vivas. 
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 6- Estantes mais rústicas e chaise acolhedora fazem um cantinho todo especial, cheio de charme e possibilidades.
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 7- Revestimentos como papéis de parede que remetam à livros e/ou leitura podem incrementar uma área convidativa. Usar um carinho de chá para acomodar os próximos livros é um convite à degustação. (leitores entenderão) 
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 8- Elegantes e refinados também podem ter seus cantos de leitura repletos de classe.
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9- E mesmo a elegância casual e mais romântica pode ter seu estilo bem traduzido em um espaço cheio de luz e conforto.
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10- Mais requintados ou mais simples, não importa. O que importa é ler, é se cercar de lembranças do bem e saber que se aprimorar, saber mais e mais só te faz uma pessoa mais interessante. E possivelmente melhor para o mundo.

*- tenho essa mania de criar apelidos derivados de palavras. O Paizinto veio de Paizinho. E foi se derivando até virar "Zintinho". E ele amava! 


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