Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Escola flutuante em favela nigeriana -Design of the Year Award 2014

Imagine uma favela sobre palafitas. Eu já entrei em uma. Chamava-se Alagados e ficava em Salvador, BA. Foi uma atividade de um projeto estudantil, no começo da faculdade, anos 70. Foi uma das experiências mais impactantes que já tive. Imagine então uma comunidade de pescadores que vivem em palafitas na Nigéria, Africa. Pois foi para esta comunidade chamada Makoko que o arquiteto nigeriano Kunle Adeyemi projetou uma escola que flutua em 256 barris de plástico reciclado, acomoda uma centena de crianças e que também pode ser usada como espaço comunitário. Não é debalde que o projeto tenha sido lembrado para o Design Of The Year 2014.  

Makoko é uma comunidade pobre, com cerca de 80.000 pessoas, construída sobre um charco e cuja população tem uma expectativa de vida é inferior a 40 anos. O governo local, pelo que li AQUI tem planos para acabar com a comunidade. Preocupado com a população e o que vai ser feito com ela, o arquiteto construiu um protótipo da escola, usando mão de obra e materiais locais. E para isso teve a ajuda do arquiteto naval holandês, Erik Wassen .


 
O projeto segue princípios simples. É feita em madeira, apoiada sobre uma base de barris de plástico reciclados. A energia é fornecida por células fotovoltaicas no telhado e é dotada de um sistema de captação de água da chuva. O custo estimado é de cerca de U$ 6.250,00.


O primeiro pavimento abriga área de convívio comunitário, tanto para as crianças como para os pescadores. E nos andares superiores estão localizadas as salas de aula. Estas podem ser moduladas por painéis conforme a necessidade.







O sistema usado para flutuação é muito simples. Além de reutilizar os barris, estes podem ser usados para a captação de água da chuva. Nas figuras acima vemos como as crianças se divertem em uma plataforma construída assim, e também os estudos para a plataforma usada na escola. 





E o mais interessante deste projeto é que ele propõem mais que um edifício isolado. Por mais sustentável e maravilhoso que seja um projeto, ele é realmente Arquitetura quando se debruça sobre o entorno e pensa na sua requalificação.
A ideia dos arquitetos é que essas estruturas possam se reproduzir em casas e edificações que ajudem a transformar uma comunidade problema em um bairro mais saudável e verdadeiramente especial. E tudo isso usando a cultura e materiais do local ajustados às necessidades locais.




"Embora quantitativamente diferente de lugar para lugar, a responsabilidade de atingir essas necessidades no máximo, com meios mínimos , permanece a mesmo a nível mundial. Estou constantemente inspirado por soluções que descobrimos na vida cotidiana nas cidades em desenvolvimento do mundo."
Kunle Adeyemi


 

Fontes architectural-review.com nleworks.com
archdaily.com 
 

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