A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Boa Arquitetura : simples, barata e bonita

Um projeto lindo uniu estudantes noruegueses de arquitetura, arquitetos e professores em um workshop na Tailândia. Dessa iniciativa surgiram um banheiro e uma biblioteca para um orfanato. 
Uma estrutura simples que abriga todas as funções necessárias e que respeita as tradições culturais locais.
O clima local foi um dos condicionantes, já que é uma região muito chuvosa e isso teve que ser levado em consideração na drenagem e no sistema de esgoto. Procurou-se materiais que garantissem arejamento, fácil limpeza e secagem rápida e que garantissem uma higiene e salubridade para as crianças.
O resultado foi esse prédio enxuto, funcional e simples de ser construído. Adaptado à cultura local que não exige áreas fechadas para o banho. 

Usa bambu para garantir uma ampla ventilação na área coberto que forma um corredor de circulação.
Uma vez um professor me disse: Boa arquitetura não é necessariamente a que faz palácios com altas verbas. Essa pode ser simbólica e se perpetuar no tempo. Mas boa arquitetura de verdade é a que faz um projeto barato e funcional. E faz isso de forma bonita.







Fonte e projeto : Tyin Architects


Abaixo imagens da biblioteca que segue a mesma concepção.

Uso do bambu e madeira local garantem facilidade e pouco custo de construção. A mão de obra também é local, e nas fotos pode-se ver os próprios estudantes participando do esforço de construção.
O resultado: um espaço rico e funcional para as crianças poderem ler, usar o computador e brincar.


Comentários

  1. Eu quis adotar esta configuração dos bambus como barreira contra os raios solares nas paredes e janelas, principalmente a tarde. Mudei de endereço antes, mas na próxima casa pretendo adotar. É um elemento naturai que não irradia o calor para dentro do ambiente. Adorei a matéria.

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