Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Obra é gostoso

Obra Arq. Elenara Stein Leitão
Projetar é bom, lançar a ideia, garimpar pelas possibilidades e usar paredes em poder de criação. Mas a materialização do projeto, a obra, é um processo que me fascina.

É aí que se vê in loco se as soluções de fato funcionam. Uma coisa é papel. Outra bem diferente é chão de obra. Nem tudo é possível fazer. E se é, nem tudo o que funciona na perspectiva, funciona assim tão bem na prática. É na obra que checamos nosso repertório. É na obra que checamos nosso saber. Soluções que tem que ser repensadas, outras que surgem em consequência da falta de um material, de algo imprevisto.

Imprevisibilidade. Em reformas elas são uma constante. Em obras novas as vezes também. E por isso há que ter flexibilidade e saber acrescentar.

E é muito gostoso acompanhar as etapas de crescimento. Confesso a vocês que minhas obras são como filhos. Quando elas vão acabando é como se fosse cortando o cordão umbilical. E por vezes me pego quase com ciúmes dos proprietários.

O Eu era assim e Agora estou assim é fantástico. Ainda mais se acompanhado do sorriso de quem vai ali morar ou trabalhar.

Por isso nesse Dia Internacional da Mulher, minha homenagem para todas as obreiras- arquitetas, operárias, proprietárias. Com charme e sapatilha baixa (rsss) a gente faz acontecer. E sai espanando a poeira depois. Cheia de alegria e satisfação.  
Obra Arq. Elenara Stein Leitão
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Comentários

  1. Incrível, pensava que fosse só eu a ter ciúmes dos clientes...
    Como a obra andou depressa, já chegou este momento!

    E junte também os meus parabéns, a todas vocês, pela data institucionalizada, que na verdade deveria ser comemorada nos 365 dias de todos os anos, 366 nos bissextos!

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  2. E imagine que está um mês atrasada, culpa do imbroglio do telhado...Sabia que tínhamos vários pontos em comum no afazer profissional, ciúmes das obras, mais um (rsss).

    Obrigada! Eu já me contentaria com mais igualdade de salários, de segurança, de oportunidades para a maioria das mulheres. Beijos

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  3. Adoro e sou fascinada por obras e reformas! É como se fosse um filho mesmo, quando acaba é só deixar fluir...

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