A cidade que envelhece com dignidade

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Uma cidade envelhece como as pessoas e deixa também cicatrizes visíveis. O viaduto que já foi resposta e agora virou problema. A estação de ônibus fechada onde o eco das despedidas ainda ressoa nas paredes vazias. O casarão que insiste em existir entre os edifícios novos. Esse envelhecimento pode ser inteligente, quando as marcas do tempo ensinam sobre escala humana, sobre materiais que resistem, sobre a sombra que o concreto não fabrica. Mas, infelizmente, pode também ser um envelhecimento de abandono: quando a memória vira pretexto para a inércia, e a tradição serve para justificar o descaso. Existe uma diferença que importa muito entre preservar e fossilizar. Preservar é manter viva a conversa entre épocas. Fossilizar é cobrir a cidade com o verniz do passado e chamar isso de respeito. Uma rua medieval que ainda pulsa, ainda abriga comércio e moradia, ainda tem gente que troca palavra na soleira, continua sendo cidade. Quando para de circular, vira cenário. A cidade que envelhece be...

Obra é gostoso

Obra Arq. Elenara Stein Leitão
Projetar é bom, lançar a ideia, garimpar pelas possibilidades e usar paredes em poder de criação. Mas a materialização do projeto, a obra, é um processo que me fascina.

É aí que se vê in loco se as soluções de fato funcionam. Uma coisa é papel. Outra bem diferente é chão de obra. Nem tudo é possível fazer. E se é, nem tudo o que funciona na perspectiva, funciona assim tão bem na prática. É na obra que checamos nosso repertório. É na obra que checamos nosso saber. Soluções que tem que ser repensadas, outras que surgem em consequência da falta de um material, de algo imprevisto.

Imprevisibilidade. Em reformas elas são uma constante. Em obras novas as vezes também. E por isso há que ter flexibilidade e saber acrescentar.

E é muito gostoso acompanhar as etapas de crescimento. Confesso a vocês que minhas obras são como filhos. Quando elas vão acabando é como se fosse cortando o cordão umbilical. E por vezes me pego quase com ciúmes dos proprietários.

O Eu era assim e Agora estou assim é fantástico. Ainda mais se acompanhado do sorriso de quem vai ali morar ou trabalhar.

Por isso nesse Dia Internacional da Mulher, minha homenagem para todas as obreiras- arquitetas, operárias, proprietárias. Com charme e sapatilha baixa (rsss) a gente faz acontecer. E sai espanando a poeira depois. Cheia de alegria e satisfação.  
Obra Arq. Elenara Stein Leitão
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Comentários

  1. Incrível, pensava que fosse só eu a ter ciúmes dos clientes...
    Como a obra andou depressa, já chegou este momento!

    E junte também os meus parabéns, a todas vocês, pela data institucionalizada, que na verdade deveria ser comemorada nos 365 dias de todos os anos, 366 nos bissextos!

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  2. E imagine que está um mês atrasada, culpa do imbroglio do telhado...Sabia que tínhamos vários pontos em comum no afazer profissional, ciúmes das obras, mais um (rsss).

    Obrigada! Eu já me contentaria com mais igualdade de salários, de segurança, de oportunidades para a maioria das mulheres. Beijos

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  3. Adoro e sou fascinada por obras e reformas! É como se fosse um filho mesmo, quando acaba é só deixar fluir...

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