Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

Imagem
Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

A felicidade não está incluída

O colega Oscar Muller me indicou esse video muito interessante enquanto falávamos sobre a necessidade do estudo da filosofia como base de qualquer ensino. Se perguntar o porque, reflexionar, debater, questionar nos diferem dos outros seres que habitam a terra. Pelo menos até prova em contrário. A vida é muito mais que crescer, comer, procriar, trabalhar e morrer. Isso se chama sobrevivência. E é infinitamente maior que ter em profusão. A vida é ser. E ser com. E por isso fechei bastante com as ideias de Epicuro. Não que fosse me tornar uma Epicurista militante. Não gosto de me apegar a um caminho único. Gosto das perguntas, mais que das respostas. Mas muitas coisas que nos chegaram dele tem muita lógica sim. 

"A ideia que Epicuro tinha era a de que, para ser feliz, o homem necessitava de três coisas: liberdade, amizade e tempo para filosofar. Na Grécia Antiga, existia uma cidade na qual, em todas as paredes do mercado, se havia escrito toda a filosofia da felicidade de Epicuro, procurando conscientizar as pessoas que, comprar e possuir bens materiais, não as tornaria mais felizes, como elas acreditavam."wikipedia


Meio complicado de experenciar nesse momento da cultura ocidental onde o prazer e a felicidade pessoal se tornaram quase obrigatórios. Onde todos devem ser bonitos, jovens, bem realizados, cheios de amigos (virtuais) e sós. Sim, temos vários amigos, saímos, compramos, bebemos, mas a generosidade e o compartilhar fica muitas vezes mais ligado às redes sociais que à vida real.

Nossas casas são feitas e remodeladas para abrigarem as mais modernas tecnologias, mas muitas vezes não para o acolhimento e para a conversa amiga. É bom comprar. Quando precisamos realmente. É bom ter 600 amigos virtuais, especialmente quando resgatamos uns dez que foram muito importantes em algum tempo de nossa vida. É bom parar para pensar sobre o que nos importa. É bom saber que a tal da felicidade se encontra bem mais dentro de nós do que fora.

Comentários

Postar um comentário

Sua opinião é super importante para nós ! Não nos responsabilizamos pelas opiniões emitidas nos comentários. Links comerciais serão automaticamente excluídos

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

10 motivos para NÃO fazer arquitetura