Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

A felicidade não está incluída

O colega Oscar Muller me indicou esse video muito interessante enquanto falávamos sobre a necessidade do estudo da filosofia como base de qualquer ensino. Se perguntar o porque, reflexionar, debater, questionar nos diferem dos outros seres que habitam a terra. Pelo menos até prova em contrário. A vida é muito mais que crescer, comer, procriar, trabalhar e morrer. Isso se chama sobrevivência. E é infinitamente maior que ter em profusão. A vida é ser. E ser com. E por isso fechei bastante com as ideias de Epicuro. Não que fosse me tornar uma Epicurista militante. Não gosto de me apegar a um caminho único. Gosto das perguntas, mais que das respostas. Mas muitas coisas que nos chegaram dele tem muita lógica sim. 

"A ideia que Epicuro tinha era a de que, para ser feliz, o homem necessitava de três coisas: liberdade, amizade e tempo para filosofar. Na Grécia Antiga, existia uma cidade na qual, em todas as paredes do mercado, se havia escrito toda a filosofia da felicidade de Epicuro, procurando conscientizar as pessoas que, comprar e possuir bens materiais, não as tornaria mais felizes, como elas acreditavam."wikipedia


Meio complicado de experenciar nesse momento da cultura ocidental onde o prazer e a felicidade pessoal se tornaram quase obrigatórios. Onde todos devem ser bonitos, jovens, bem realizados, cheios de amigos (virtuais) e sós. Sim, temos vários amigos, saímos, compramos, bebemos, mas a generosidade e o compartilhar fica muitas vezes mais ligado às redes sociais que à vida real.

Nossas casas são feitas e remodeladas para abrigarem as mais modernas tecnologias, mas muitas vezes não para o acolhimento e para a conversa amiga. É bom comprar. Quando precisamos realmente. É bom ter 600 amigos virtuais, especialmente quando resgatamos uns dez que foram muito importantes em algum tempo de nossa vida. É bom parar para pensar sobre o que nos importa. É bom saber que a tal da felicidade se encontra bem mais dentro de nós do que fora.

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