Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

Imagem
Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Banho sem água - veja como

Fonte
Em várias regiões do planeta a água é um bem raro. Foi pensando nesse desafio que o estudante sul-africano Ludwick Marishane enfrentou o desafio que um amigo lhe fez em forma de quase brincadeira de como seria bom alguém inventar algo que, usado sobre a pele, substituísse o banho com água. E ele, como toda pessoa que faz diferença, se perguntou e por que não?

Pesquisou e viu que mais de 2,5 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso adequado à água e saneamento, sendo que 450 milhões estão na África, e 5 milhões na África do Sul. Imaginem os problemas de saúde que decorrem disso. E a solução é simples. Uma boa higiene, lavar as mãos, rosto e corpo podem ajudar a diminuir várias doenças. Graves. Ou seja, muita gente pode viver e melhor se dispuser de um meio de limpeza em condições precárias de saneamento. Para quem vai ao banheiro e abre a torneira e a água jorra, parece meio simples. Mas não é. É revolucionário e fundamental para a vida e sobrevivência de milhões de pessoas.

Foi nessa realidade que o jovem estudante se lançou à pesquisa usando um celular (!). Pesquisou na Wikipedia, no Google, procurou por tudo que pudesse ser solução para o seu problema. Ou seja, fez ciência usando um celular. E sabendo o que fazer de bom com ele.


Alguns anos se passaram, e nem tantos assim e ele já tem a patente da fórmula da loção que substitui o banho, a DryBath, que já está no mercado.

Fonte

Algumas lições práticas que ele aprendeu para vender produtos em comunidades mais carentes: vender os produtos sob demanda, ou seja vender o produto em saquinhos ou embalagens menores e mais baratas.

E a grande descoberta dita em suas próprias palavras:

 "Enfim, descobrimos que poderia salvar 80 litros de água em média a cada vez que evitasse um banho, e que salvou duas horas por dia para crianças em áreas rurais, 2 horas de escolaridade, 2 horas para lição de casa, duas horas mais simples de ser crianças."

Outra dica preciosa do Dr. Silvio Lewgoy.

Comentários

  1. Muito legal! Nossa, a história é sensacional, assim como a iniciativa do rapaz, a vontade dele de fazer acontecer, a possibilidade que surge por meio do produto que ele desenvolveu. Tudo muito legal!
    Precisamos de mais gente assim no mundo.
    Um beijo e feliz Natal :)

    ResponderExcluir
  2. Impressionante! Há muita esperança no homem.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Sua opinião é super importante para nós ! Não nos responsabilizamos pelas opiniões emitidas nos comentários. Links comerciais serão automaticamente excluídos

Postagens mais visitadas deste blog

DIREITO À PAISAGEM

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Processo da Arquitetura

A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós