Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Mantra de passagem

Foto Elenara Stein Leitão
Quando eu comecei a arquitetar foi com dois intuitos: me fazer feliz e fazer outras pessoas felizes. 


Quando isso não acontece para qualquer lado é hora de refletir. Eu sei que nem sempre podemos agradar a todos. Assim como a reciproca é verdadeira. Mas para que a beleza possa sair de maneira integral é preciso também reunir uma serie de fatores. Eu sempre disse que para uma obra ser boa são precisos três fatores básicos: um bom cliente, um bom profissional, um bom executor. Se um desses vértices falha, algo acaba saindo fora dos eixos. Eu sei que tem vezes que esse vértice que falha sou eu e, por mais que tente alinhar os caminhos, uma vez fora dos trilhos, é complicado. 


Como já dizia Roberto Freire, o escritor e não o politico, em seu livro "Sem Tesão não há solução":  

"É chegado o momento de acrescentarmos ao tempo e ao espaço mais uma dimensão fundamental à vida no Universo: o Tesão, o estar física e emocionalmente em prontidão, alertas, atentos, disponíveis, sintonizados, sensibilizados, sensorializados, sensualizados a todos os estímulos internos e externos da vida cotidiana [...]graças a essa dimensão, nós sentimos a vida à flor da pele, podemos fazer fluir e tornar disponíveis nossos potenciais humanos e biológicos [...]Finalmente, ela nos faz criar, amar, jogar, brincar, lutar pelo simples e encantado prazer de estar vivo. [...] Hoje, perder o tesão significa também se desinteressar. Mas trata-se de um desinteresse que não é apenas mental, existencial, mas também corporal e sensorial [...]Este tesão o faz ligar-se, forte e apaixonadamente, sem necessitar nenhuma explicação consciente, a tudo o que lhe proporciona beleza, alegria e prazer. [...]

Assim sendo me recolhi para voltar a ter tesão.

Foto Elenara Stein Leitão
E achei nesses dias esse mantra que em tudo parece indicado para esses momentos de passagem. Vou lá tentar. Dizem ser um processo. Tudo é um processo. Como nos projetos. Nada muito rápido surte um efeito lá muito duradouro. Tudo precisa ser burilado e re-burilado. Como a vida

Comentários

  1. Feliz Páscoa!
    Nossas crenças, formas de pensar sempre precisam ser reformuladas, não é mesmo?

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