Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Sustentabilidade afetiva

Sustentabilidade afetiva. Li esse termo numa revista, onde vi esse projeto que está aí abaixo, de uma empresa de criação de Porto Alegre, e achei muito apropriado. Fui em busca do significado e achei que seria o consumo e uso de móveis e objetos que tenham um valor afetivo, que signifiquem algo para nós e nossa vida. A mesa ou a cristaleira que estava na casa da vó, por exemplo. E esse tipo de uso tem tudo a ver comigo. Eu sou uma guardadora. Tudo bem, mea culpa, devia me desfazer mais das coisas, mas todos tem o seu lado fraco, não é mesmo ?
Objetos com sustentabilidade afetiva que tenho no escritório-
Foto Arq. Elenara Stein leitão
Eu guardo cartas, eu guardo recordações. E guardo objetos. No meu escritório tenho uma estante com   recordações de clientes: um quartzo rosa que uma senhora me deu quando soube que era minha pedra preferida. Uns mini porta retratos bordados em ponto cruz que uma cliente, aos 75 anos, fez prá mim com anjos de Natal. Um tijolo antigo de uma casa que foi demolida e que está ao lado de um mais moderno, só para comparar os tamanhos. Um relógio de bailarina que encantava minha infância. A porcelana de minha avó, toda craquelada...


E por isso tinha que colocar esse projeto que a Mundo.ag (Mundo Arte Global) fez para a sede da Joner Criações e Reflexões em Porto Alegre. A ambientação reflete a proposta da empresa que é : "valorizar a cultura brasileira, seu sincretismo, suas festas e figurinos".


Um projeto que é a cara da empresa, que valoriza seus valores e que portanto é criativo e único. E aproveita antigos móveis com valor sentimental além de reciclar produtos de obra, como essas luminárias abaixo que são latas de tinta usadas na reforma. Show de bola !




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Comentários

  1. Bah! Como é bom ler posts de gente inteligente.

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  2. Elenara, que termo ótimo. Genuíno. Acho que aplico a sustentabilidade afetiva aqui em casa e na minha vida também. Aliás, eu e a @samegui, irmãs colecionadoras de boas lembranças.

    Eu costumo me desfazer de coisas que não tem utilidade pra mim, porém estão em bom estado, podendo ser reaproveitadas por outros, sabe, inclusive repasso diretamente a amigos que tenham interesse, mas alguns artigos, pequenos móveis ou itens, louças e livros, por exemplo, deixo permanecerem, pois são a memória viva e gosto de conservar.

    Em termos de arquitetura e decoração, acho exemplar que consigam envolver, agrupar objetos antigos aos novos agregando história, cultura e tradições. Curti o post e a ideia. Um abraço.

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  3. Perfeito Tiffany,

    Eu também achei genial essa definição porque exprime bem esse resgate de sentimentos e lembranças que tanto nos fazem bem. Adorei o teu comentário.
    Beijos
    Elenara

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  4. Sempre que o termo sustentabilidade é empregado vemos o nascer de algo novo e inspirador. A sustentabilidade afetiva une o que já está ali no canto com a vontade de lhe dar uma utilidade. Gostei bastante e é uma boa forma de pensamento. Abraços!

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  5. É isso aí Camesa, resgatar a utilidade do que aparentemente poderia ser descartado, relembrando nossas memórias e histórias que esses objetos representam.
    Beijos

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