A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Espaços para o sexo

Desde a antiguidade os locais reservados aos prazeres carnais foram se sofisticando. Dos antigos lupanares, com suas camas de pedra, como esse visto em Pompéia (Itália) passaram pelos antigos cabarés até chegar aos modernos motéis. De locais de encontros clandestinos, passaram a locais frequentados por casais "legais"  e mesmo para festas mais inocentes. Ou nem tanto.

Lupanario em Pompéia  Fonte
Mas na verdade eles exigem uma complexidade de planejamento. Sua localização deve privilegiar fácil acesso, mas ser ao mesmo tempo discreta. Sua ambientação deve primar pelo apelo à fantasia e a um certo luxo, sem descuidar de materiais muito resistentes e fáceis de limpar e conservar. O acesso de camareiras deve ser rápido e discreto. E devem reservar alguma área com acessibilidade para casais que assim a necessitem.

Em geral associamos motel com profusão de espelhos, decoração meio over e um apelo nada sutil ao seu uso. Mas não é obrigatório que assim seja. 

Fonte

Os espaços dedicados ao sexo sempre foram tratados como intimidade. 

Mesmo em um período da história em que as casas não permitiam aos casais essa privacidade, muitos procuravam os matos para poderem estar  a sós. Os casais mais ricos tinham camas com cortinas. Na medida em que o sexo foi ficando mais liberado para ser falado e os espaços das casas foram se compartimentando, os casais passaram a ter seus momentos de intimidade mais reservados. Mas a magia da paixão ainda exige uma certa fantasia que extrapola as quatro paredes da casa da gente. 

Abaixo um link para um estudo bem interessante sobre a evolução desses espaços  


Do boudoir ao motel um estudo


Comentários

  1. Excelente o texto do link!

    Que achado, Elenara!

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  2. E tem gente que prefere uma rede.

    E haja saúde e T pra aguentar uma cama de pedra.

    Boa Tarde!

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  3. Oscar !

    Os achados estão na net, basta pesquisarmos com afinco.

    Nô,

    Rede é bom também. Eu creio que deviam haver espécies de colchões de palha naquela época...

    Abraços

    ResponderExcluir

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