O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Aprender a pesquisar


Aprender a pesquisar é uma das aprendizagens mais importantes em qualquer profissão. Hoje em dia ainda mais. Parece fácil. Vou no Google, clico alguns termos e Voilá ! Surgem milhares de links...e fazer o que com eles ? Como separar o joio do trigo ? 

Alguns anos atrás, quando fiz minha graduação, a gente pesquisava em livros, em revistas. O mundo era mais vasto em distâncias, a gente não tinha um museu ao alcance da mão como hoje com o poderoso Google. Era mais difícil contatar arquitetos sem e-mail ou redes sociais. Mas o mecanismo da pesquisa continua o mesmo. A aparente facilidade moderna esconde uma armadilha. Nos milhões de links que a internet oferece encontramos tanta baboseira, tanta mentira ou falsa ciência espalhada em enésima potência que acaba virando verdade. Afinal está na internet...e daí ? Pesquisa mesmo é saber o que buscar. Como buscar. Saber escolher as fontes. E como se consegue isso ? Lendo. Se aprofundando. Passando um pouco longe do apenas copiar e colar. Consistência. Aprofundamento. Mergulho no que se quer saber. Ler e ler. Ler quem é favor. E ler que é do contra. E formar uma opinião.

Uma das lições que tive na Arquitetura foi me dar conta que o curso não ia me ensinar mastigadinho a projetar tudo. Mas ia me ensinar COMO pesquisar o que projetar. E no mestrado uma das primeiras lições foi reunir a bibliografia. Saber exatamente o que ler. O que é relevante na área. O que é relevante para o que eu pretendo fazer na área em que atuo. E aprofundar.

Por isso quando vejo muitos estudantes pedindo de mão beijada o que devem aprender a buscar por si mesmos, fico com um certo dó. Devem estar faltando mestres que apontem o caminho.

Muitas vezes o link realmente importante está numa entrelinha do link aberto. A opinião deve ser analisada pelo viés de quem a emite e pelo contexto em que é emitida. não existem verdades únicas. Cabe a você garimpar a sua.

Comentários

  1. Informação de maneira muito fácil tem que se desconfiar.

    Minha pequena e amada bibiloteca física nunca é esquecida.

    Boa Semana!

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