Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Aprender a pesquisar


Aprender a pesquisar é uma das aprendizagens mais importantes em qualquer profissão. Hoje em dia ainda mais. Parece fácil. Vou no Google, clico alguns termos e Voilá ! Surgem milhares de links...e fazer o que com eles ? Como separar o joio do trigo ? 

Alguns anos atrás, quando fiz minha graduação, a gente pesquisava em livros, em revistas. O mundo era mais vasto em distâncias, a gente não tinha um museu ao alcance da mão como hoje com o poderoso Google. Era mais difícil contatar arquitetos sem e-mail ou redes sociais. Mas o mecanismo da pesquisa continua o mesmo. A aparente facilidade moderna esconde uma armadilha. Nos milhões de links que a internet oferece encontramos tanta baboseira, tanta mentira ou falsa ciência espalhada em enésima potência que acaba virando verdade. Afinal está na internet...e daí ? Pesquisa mesmo é saber o que buscar. Como buscar. Saber escolher as fontes. E como se consegue isso ? Lendo. Se aprofundando. Passando um pouco longe do apenas copiar e colar. Consistência. Aprofundamento. Mergulho no que se quer saber. Ler e ler. Ler quem é favor. E ler que é do contra. E formar uma opinião.

Uma das lições que tive na Arquitetura foi me dar conta que o curso não ia me ensinar mastigadinho a projetar tudo. Mas ia me ensinar COMO pesquisar o que projetar. E no mestrado uma das primeiras lições foi reunir a bibliografia. Saber exatamente o que ler. O que é relevante na área. O que é relevante para o que eu pretendo fazer na área em que atuo. E aprofundar.

Por isso quando vejo muitos estudantes pedindo de mão beijada o que devem aprender a buscar por si mesmos, fico com um certo dó. Devem estar faltando mestres que apontem o caminho.

Muitas vezes o link realmente importante está numa entrelinha do link aberto. A opinião deve ser analisada pelo viés de quem a emite e pelo contexto em que é emitida. não existem verdades únicas. Cabe a você garimpar a sua.

Comentários

  1. Informação de maneira muito fácil tem que se desconfiar.

    Minha pequena e amada bibiloteca física nunca é esquecida.

    Boa Semana!

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