Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

MÃES DO BAIRRO – HEROÍNAS DO COTIDIANO

Esse projeto foi apresentado na Bienal de Arquitetura de São Paulo em 2009 e reproduzido aqui para conhecerem uma iniciativa bastante interessante de combater a violência nas cidades.

Para propiciar às crianças um crescimento saudável de acordo com seus talentos e capacidades individuais, independentemente de seu meio social, são necessários meios e caminhos muito diferenciados. As Mães do Bairro praticam um novo conceito ativo de auxílio básico que enfrenta baixa resistência.

As mães de bairro são mulheres que vêm principalmente de famílias turcas ou árabes, os maiores grupos de imigrantes na Alemanha. Elas frequentam cursos de qualificação com duração de seis meses em assuntos como educação pré-escolar e escolar, aprendizagem do idioma alemão, fases de desenvolvimento da criança, educação sem violência, nutrição saudável e muitos outros temas. Depois do encerramento do curso as mães de bairro visitam as famílias da sua vizinhança. Durante um total de dez encontros é discutido a cada visita um tema diferente. As mães de bairro dão conselhos concretos como, por exemplo, inscrever a criança em uma creche para que, além de sua língua materna, aprendam cedo o idioma alemão. Elas propagam uma educação sem violência, e o respeito de direitos iguais para o fomento de meninos e meninas.

Desenvolveu-se durante o processo uma cooperação estreita com jardins de infância, pontos de encontro de pais e estações escolares, nos quais alunos podem trocar ideias com conselheiros em caso de problemas, bem como com os professores e educadores. Até junho de 2009 foram qualificadas mais de 160 mães de bairro e foram visitadas mais de 2.200 famílias. O modelo da comunicadora entre as culturas existe agora também em outros bairros de Berlim, bem como em outros municípios.

Neste meio-tempo, as Mães do Bairro também têm uma função exemplar no seu próprio ambiente social – mulheres que encontravam-se à margem da sociedade agora estão no centro da mesma.

Responsáveis pelo projeto:
Assistência Social da Diaconia Neukölln Oberspree e.V., Berlim em Cooperação com a Subprefeitura do Bairro Neukölln, a Secretaria para o Desenvolvimento Urbano, a Secretaria para Integração, Trabalho e Temas Sociais e a Agência Pública de Empregos de Neukölln, Berlin




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