Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Domingo

Domingo é dia reservado ao descanso.

Será ?

Descanso hoje é sinônimo de lazer. E lazer nos tempos modernos nada tem a ver com ficar gostosamente descansando em uma rede, ou ficar olhando nuvens no céu, só para descobrir quantas formas elas podem ter.

Nada fazer é um pecado nesses tempos em que a indústria do entretenimento é poderosa.

E de mais a mais, domingo é hora livre. Serve para aquelas tarefas que não temos tempo de fazer durante a semana. Fazer compras é uma delas. Eu sou terminantemente contra a abertura das lojas aos domingos. Acho um desrespeito total. As pessoas deviam ser obrigadas a nada fazer de vez em quando só para retomarem o contato com elas mesmas. Toda casa devia ter um canto reservado para meditação, um altar de encontro consigo mesmo. Seja um jardim, uma rede, uma cadeira com música, um chão para brincar. Isso, toda casa devia ter uma brinquedoteca particular para que o dono nunca esquecesse de ser criança de vez em quando. Um lugar apenas para sonhar...

Comentários

  1. Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora, face às terríveis conseqüências do trabalho na sociedade capitalista.
    Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica.
    (Paul Lafargue em "O direito à preguiça")..
    É isso mesmo, Elenara... o ócio e a preguiça são fundamentais ao desenvolvimento intelectual e à criatividade...um direito a ser conquistado! Beijos e curta bastante seus domingos!

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  2. Eu trabalhei em vendas por 6 anos aos Domingos.
    Confesso que é estressante e desanimador principalmente quando não se pode ficar junto à família em datas tão caras como Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Pais.

    Uma Linda Semana!
    Beijos

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  3. Trabalhava de Terça a Domingo inclusive aos feriados.
    Não havia rodízio porque era a única vendedora.
    Nos últimos anos eu pedia mais folgas porque era merecedora.

    Imagino que tenha sido um sacrifício para Purificação
    :)

    Passou!

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  4. Sobre o tempo livre, a sociedade do entretenimento e tudo o mais, tenho muito a dizer. Mas a preguiça (e outros compromissos um tanto urgentes) vão fazer com que Theodore Adorno fale por mim: http://www.arasite.org/adftime.htm

    Li este texto há algum tempo e ele compraz uma interpretação interessante acerca do tempo livre. Faz pensar. O que sempre é bom.

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