O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Domingo

Domingo é dia reservado ao descanso.

Será ?

Descanso hoje é sinônimo de lazer. E lazer nos tempos modernos nada tem a ver com ficar gostosamente descansando em uma rede, ou ficar olhando nuvens no céu, só para descobrir quantas formas elas podem ter.

Nada fazer é um pecado nesses tempos em que a indústria do entretenimento é poderosa.

E de mais a mais, domingo é hora livre. Serve para aquelas tarefas que não temos tempo de fazer durante a semana. Fazer compras é uma delas. Eu sou terminantemente contra a abertura das lojas aos domingos. Acho um desrespeito total. As pessoas deviam ser obrigadas a nada fazer de vez em quando só para retomarem o contato com elas mesmas. Toda casa devia ter um canto reservado para meditação, um altar de encontro consigo mesmo. Seja um jardim, uma rede, uma cadeira com música, um chão para brincar. Isso, toda casa devia ter uma brinquedoteca particular para que o dono nunca esquecesse de ser criança de vez em quando. Um lugar apenas para sonhar...

Comentários

  1. Uma estranha loucura se apossou das classes operárias das nações onde reina a civilização capitalista. Esta loucura arrasta consigo misérias individuais e sociais que há dois séculos torturam a triste humanidade. Esta loucura é o amor ao trabalho, a paixão moribunda do trabalho, levado até ao esgotamento das forças vitais do indivíduo e da sua progenitora. Em vez de reagir contra esta aberração mental, os padres, os economistas, os moralistas sacrossantificaram o trabalho. Homens cegos e limitados, quiseram ser mais sábios do que o seu Deus; homens fracos e desprezíveis, quiseram reabilitar aquilo que o seu Deus amaldiçoara. Eu, que não confesso ser cristão, economista e moralista, recuso admitir os seus juízos como os do seu Deus; recuso admitir os sermões da sua moral religiosa, econômica, livre-pensadora, face às terríveis conseqüências do trabalho na sociedade capitalista.
    Na sociedade capitalista, o trabalho é a causa de toda a degenerescência intelectual, de toda a deformação orgânica.
    (Paul Lafargue em "O direito à preguiça")..
    É isso mesmo, Elenara... o ócio e a preguiça são fundamentais ao desenvolvimento intelectual e à criatividade...um direito a ser conquistado! Beijos e curta bastante seus domingos!

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  2. Eu trabalhei em vendas por 6 anos aos Domingos.
    Confesso que é estressante e desanimador principalmente quando não se pode ficar junto à família em datas tão caras como Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Pais.

    Uma Linda Semana!
    Beijos

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  3. Trabalhava de Terça a Domingo inclusive aos feriados.
    Não havia rodízio porque era a única vendedora.
    Nos últimos anos eu pedia mais folgas porque era merecedora.

    Imagino que tenha sido um sacrifício para Purificação
    :)

    Passou!

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  4. Sobre o tempo livre, a sociedade do entretenimento e tudo o mais, tenho muito a dizer. Mas a preguiça (e outros compromissos um tanto urgentes) vão fazer com que Theodore Adorno fale por mim: http://www.arasite.org/adftime.htm

    Li este texto há algum tempo e ele compraz uma interpretação interessante acerca do tempo livre. Faz pensar. O que sempre é bom.

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