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2015/08/04

Seremos nós analfabetos urbanísticos?

Faço a pergunta não aos arquitetos e urbanistas, mas temo que alguns dos primeiros talvez não tenham passado do Mobral básico em algumas escolas. Faço a pergunta às pessoas de modo geral. Estamos preparados para compreender e atuar em nossas cidades? Somos ensinamos a ver, sentir e interagir com o espaço urbano de forma empírica. Não seria interessante que ele fosse uma matéria escolar?  
Cidade - espaço urbano


Faço essa indagação ao resgatar outro texto de meus guardados que trata justamente dessa questão. O autor, Lucas Jerzy Portela, é um psicologo baiano e com especialização em saúde mental. Ele tem um texto instigante e ressalto alguns pontos:
"é preciso ter em conta que o analfabetismo urbanístico não ocorre por inércia: boas cidades podem ser lidas “naturalmente”, sem um ensino diretivo anterior. Aliás, mais radicalmente nos lembra Ivan Ilich, boas cidades educam de um modo que escolas nunca serão capazes. Para que se instale o analfabetismo urbanístico (como patologia cogno-afetiva clínica e epidêmica) não basta não se ensinar geografia urbana nas escolas, é preciso ter cidades desorganizadas e cujo uso pedestre seja punitivo."
Analfabetismo urbanístico


Muitas cidades se salientam por serem atraentes, por possuírem diversidade e espaços que chamam ao encontro. Ao contrário de muitas que conhecemos que nos assustam mais que encantam. Onde não somos chamados a percorrê-la com nossos pés ou onde o carro privado seja absoluta prioridade.  
"O analfabetismo urbanístico é, assim, um ciclo vicioso: quanto menos gente entende cidades, pior elas são usadas; pior usadas, se deterioram; deteriorando, se usa menos; usando menos se deterioram, etc."
Afinal cidades são feitas de gente, de movimento e vida, de gente que as ama e se preocupa em conhecê-las e transformá-las. 
"Por fim, uma última objeção. Costuma-se fazer a oposição, no Brasil, entre analfabetos urbanísticos de um lado, e especialistas (urbanistas, arquitetos, etc.) em outro. Esta oposição é apenas uma forma de manter as coisas ruins como estão. Não sendo urbanista, mas tendo crescido sempre em meio a boa arquitetura (e a ensino de geografia urbana desde o primário, no Colégio Antônio Vieira, Garcia) sou urbanófilo – no sentido em que Jean-Luc Godard diz “cinéfilo”. Isto é: aquele que do amor devocional a uma arte, extrai um saber que acaba com sua capacidade ilusória, desvendando seus artifícios de linguagem por dentro."
urbanismo

E como então passarmos do desconhecimento ao prazer de saber e se tornar também um urbanófilo como o autor se define? Como nos tornarmos cidadãos sustentáveis para construirmos e trabalharmos por cidades mais sustentáveis?
Conhecimento. Este uma passo que poderia ser incrementado com o ensino do espaço urbano nas escolas. Mais alguns passos nesse sentido podem ser vistos em:

E gostaria de contribuir para o conhecimento do pensamento urbano com um link que descobri essa semana e que faz um panorama cronológico do pensamento urbano. Trabalho de pesquisa de duas universidades brasileiras UFRJ e UFBA que considero de interesse não apenas de profissionais e estudantes da área, mas de todos os que vivem nas cidades.     

Cronologia do pensamento urbano


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