O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

Imagem
Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Imaginando o ontem - a primeira cidade

Sou uma fascinada pela história. Gosto de pesquisar e imaginar como seria o ontem. Aquele que era presente de tantos homens e mulheres que viveram tão antes, tiveram sonhos, construíram cidades, tinham rituais e deixaram para nós uma rica herança em sítios arqueológicos. E também uma série de interrogações.  

Foi munida desse espírito que fui ao almoço Clio saber mais sobre Çatal Hüyük, um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo, situado no sul da Anatólia (Turquia). 

Impressionante imaginar que as escavações minuciosas (que começaram em 1958) revelam milênios de vida dispostas em cerca de vinte camadas de vida que se sobrepõem e revelam a vida em comunidade através dos anos. 

Vida aliás peculiar porque as habitações (ou cubículos) não tinham portas como as que conhecemos. Elas tinham acesso pelos tetos, através de escadas. Não era uma comunidade murada o que talvez significasse que não temiam invasões humanas, mas talvez se protegesse de animais. Perguntas. Muitas já que não existem registros que nos respondam de forma cabal os porquês daquelas pessoas. 

Seus totens, seus mortos, suas casas e pinturas nos acompanham em pesquisas. E hoje particularmente, em um almoço quase 7.000 anos depois de suas vidas. Isso é muito mágico. De certa forma nos une em humanidade, em seres que procuram estar juntos, em construir comunidades, em viver em cidades. 

Observar e tentar entender como se construíram as primeiras cidades, primeiro cenário proto-urbanístico, como bem definiu o prof. Dr. Francisco Marshall na sua fantástica palestra, talvez nos desvende o que procuramos ainda hoje nas nossas.


Cardápio

gastronomia da chef Carine Tigre.
 



Entrada
Tabule com mix de folhas e pesto de hortelã



Prato principal
Fatté de carne na coalhada com cevadinha e grão de bico




Sobremesa
Ataif de ricota e nozes com calda de flor de laranjeira


Fonte das imagens da cidade AQUI  
Fotos do almoço Elenara Stein Leitão

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Cortina verde na fachada

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

Arte com resíduos no canteiro de obras - Mestres da Obra

Calungas, a representação da escala nos desenhos