O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Vamos comer plástico no futuro? Talvez. Conheça o Fungi Mutarium

"E se pudéssemos transformar um problema ambiental (resíduos) em uma solução ambiental (alimentos)?"

Já pensaram se os imensos descartes de plásticos descartados pudessem ser transformados em alimentos? Uau! Dois problemas em uma só solução! Seria genial e talvez um dia seja realidade. Pelo menos é o que acredita Katharina Unger. Em parceria com a Universidade de Utrecht está pesquisando um sistema de cultivo de fungos que comem plástico! Nossa, os cogumelos seriam o grande gol da humanidade!

A designer está desenvolvendo conceitualmente uma mini fábrica para o cultivo desses fungos, que são comestíveis, e que adoram consumir um plástico. Segundo o seu site, o processo de transformar problema em solução consiste em colocar o plástico primeiro sobre uma luz UV que o esteriliza e onde começa o processo de degradação. Depois ele é "colocado em uma zona de crescimento (fica em capsula em forma de ovo feita a partir de agar". O processo continua com a colocação do "micélio diluído, adicionado ao FU" que começa lentamente a consumir o material plástico. O processo é um pouco complexo e está ainda em estudos para que seja otimizado. Mas o conceito é por si só bastante interessante.
Será que o futuro nos reserva comer o que consumimos em demasia? Seremos a nossa própria solução? Especulações por enquanto. Mas especulações científicas já que existe um estudo real sendo feito. Dos cogumelos comestíveis de laboratório à mesa da população existe uma grande distância em pesquisa, testes e garantias de segurança alimentar.


Mas tudo o que consumimos hoje já foi sonho algum dia. Quem sabe o que o futuro nos reserva. Até lá, convém pensar nas ações que levam à esse consumo desenfreado.


Fotos:  Paris Tsitos

Leia também Não suje a sua praia e E Você vem me falar em meio ambiente?

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