Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Reforma Sustentável de Casa Vitoriana usa concreto de cânhamo e LC3

 


O escritório de arquitetura britânico Cairn nos presenteia com um projeto inspirador: a reforma e ampliação de uma casa vitoriana com foco na redução do impacto ambiental. A iniciativa demonstra como a arquitetura sustentável pode ser integrada de forma harmoniosa em diferentes estilos, inclusive em construções históricas.

Priorizando a Sustentabilidade:

O projeto teve como objetivo principal minimizar o impacto ambiental da reforma. Para isso, os arquitetos adotaram diversas estratégias:
  • Redução do uso de materiais com alta pegada de carbono: aço, concreto e revestimentos internos foram utilizados com moderação. Essa escolha resultou em uma redução de 40% no "Lifetime Carbon" da construção em comparação com métodos convencionais.
  • Reutilização e reaproveitamento de elementos: sempre que possível, elementos da construção original foram mantidos ou reaproveitados, reduzindo a necessidade de novos materiais e diminuindo o desperdício.
  • Estruturas de madeira desmontáveis: estruturas de madeira foram utilizadas no lugar do aço convencional, com a vantagem de serem totalmente desmontáveis ao final da vida útil da edificação, facilitando a reciclagem e minimizando o impacto ambiental.
  • Materiais de base biológica: em casos onde novos materiais foram necessários, a equipe optou por alternativas de base biológica, como cortiça, fibra de madeira, lã de madeira, gesso de cal e concreto de cânhamo. As paredes de cânhamo expostas, moldadas à mão, são um belo exemplo dessa filosofia.
  • Concreto de cimento de argila calcinada de calcário (LC3): o projeto é pioneiro no Reino Unido por utilizar esse material inovador, que tem potencial para reduzir as emissões globais de CO2 em 1 a 2% se adotado em larga escala.




Aplicações no Brasil:

No Brasil, a rica diversidade de climas e biomas oferece um leque de oportunidades para a aplicação de princípios da arquitetura sustentável. O uso de materiais locais e de baixo impacto ambiental, como madeira de reflorestamento, adobe e tijolos de barro, deve ser incentivado. Além disso, técnicas como captação de água da chuva, reuso de água cinza e energia solar podem ser facilmente integradas aos projetos, reduzindo o consumo de recursos naturais e diminuindo a conta de energia.

Conclusão:

A reforma da casa vitoriana pelo Cairn é um exemplo inspirador de como a arquitetura pode contribuir para um futuro mais sustentável. Ao aliar criatividade, conhecimento técnico e responsabilidade ambiental, os arquitetos demonstram que é possível construir com estilo e consciência, preservando o planeta para as próximas gerações.

Fotos: James Retief / David Grandorge




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