Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Reforma Sustentável de Casa Vitoriana usa concreto de cânhamo e LC3

 


O escritório de arquitetura britânico Cairn nos presenteia com um projeto inspirador: a reforma e ampliação de uma casa vitoriana com foco na redução do impacto ambiental. A iniciativa demonstra como a arquitetura sustentável pode ser integrada de forma harmoniosa em diferentes estilos, inclusive em construções históricas.

Priorizando a Sustentabilidade:

O projeto teve como objetivo principal minimizar o impacto ambiental da reforma. Para isso, os arquitetos adotaram diversas estratégias:
  • Redução do uso de materiais com alta pegada de carbono: aço, concreto e revestimentos internos foram utilizados com moderação. Essa escolha resultou em uma redução de 40% no "Lifetime Carbon" da construção em comparação com métodos convencionais.
  • Reutilização e reaproveitamento de elementos: sempre que possível, elementos da construção original foram mantidos ou reaproveitados, reduzindo a necessidade de novos materiais e diminuindo o desperdício.
  • Estruturas de madeira desmontáveis: estruturas de madeira foram utilizadas no lugar do aço convencional, com a vantagem de serem totalmente desmontáveis ao final da vida útil da edificação, facilitando a reciclagem e minimizando o impacto ambiental.
  • Materiais de base biológica: em casos onde novos materiais foram necessários, a equipe optou por alternativas de base biológica, como cortiça, fibra de madeira, lã de madeira, gesso de cal e concreto de cânhamo. As paredes de cânhamo expostas, moldadas à mão, são um belo exemplo dessa filosofia.
  • Concreto de cimento de argila calcinada de calcário (LC3): o projeto é pioneiro no Reino Unido por utilizar esse material inovador, que tem potencial para reduzir as emissões globais de CO2 em 1 a 2% se adotado em larga escala.




Aplicações no Brasil:

No Brasil, a rica diversidade de climas e biomas oferece um leque de oportunidades para a aplicação de princípios da arquitetura sustentável. O uso de materiais locais e de baixo impacto ambiental, como madeira de reflorestamento, adobe e tijolos de barro, deve ser incentivado. Além disso, técnicas como captação de água da chuva, reuso de água cinza e energia solar podem ser facilmente integradas aos projetos, reduzindo o consumo de recursos naturais e diminuindo a conta de energia.

Conclusão:

A reforma da casa vitoriana pelo Cairn é um exemplo inspirador de como a arquitetura pode contribuir para um futuro mais sustentável. Ao aliar criatividade, conhecimento técnico e responsabilidade ambiental, os arquitetos demonstram que é possível construir com estilo e consciência, preservando o planeta para as próximas gerações.

Fotos: James Retief / David Grandorge




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