O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Reforma Sustentável de Casa Vitoriana usa concreto de cânhamo e LC3

 


O escritório de arquitetura britânico Cairn nos presenteia com um projeto inspirador: a reforma e ampliação de uma casa vitoriana com foco na redução do impacto ambiental. A iniciativa demonstra como a arquitetura sustentável pode ser integrada de forma harmoniosa em diferentes estilos, inclusive em construções históricas.

Priorizando a Sustentabilidade:

O projeto teve como objetivo principal minimizar o impacto ambiental da reforma. Para isso, os arquitetos adotaram diversas estratégias:
  • Redução do uso de materiais com alta pegada de carbono: aço, concreto e revestimentos internos foram utilizados com moderação. Essa escolha resultou em uma redução de 40% no "Lifetime Carbon" da construção em comparação com métodos convencionais.
  • Reutilização e reaproveitamento de elementos: sempre que possível, elementos da construção original foram mantidos ou reaproveitados, reduzindo a necessidade de novos materiais e diminuindo o desperdício.
  • Estruturas de madeira desmontáveis: estruturas de madeira foram utilizadas no lugar do aço convencional, com a vantagem de serem totalmente desmontáveis ao final da vida útil da edificação, facilitando a reciclagem e minimizando o impacto ambiental.
  • Materiais de base biológica: em casos onde novos materiais foram necessários, a equipe optou por alternativas de base biológica, como cortiça, fibra de madeira, lã de madeira, gesso de cal e concreto de cânhamo. As paredes de cânhamo expostas, moldadas à mão, são um belo exemplo dessa filosofia.
  • Concreto de cimento de argila calcinada de calcário (LC3): o projeto é pioneiro no Reino Unido por utilizar esse material inovador, que tem potencial para reduzir as emissões globais de CO2 em 1 a 2% se adotado em larga escala.




Aplicações no Brasil:

No Brasil, a rica diversidade de climas e biomas oferece um leque de oportunidades para a aplicação de princípios da arquitetura sustentável. O uso de materiais locais e de baixo impacto ambiental, como madeira de reflorestamento, adobe e tijolos de barro, deve ser incentivado. Além disso, técnicas como captação de água da chuva, reuso de água cinza e energia solar podem ser facilmente integradas aos projetos, reduzindo o consumo de recursos naturais e diminuindo a conta de energia.

Conclusão:

A reforma da casa vitoriana pelo Cairn é um exemplo inspirador de como a arquitetura pode contribuir para um futuro mais sustentável. Ao aliar criatividade, conhecimento técnico e responsabilidade ambiental, os arquitetos demonstram que é possível construir com estilo e consciência, preservando o planeta para as próximas gerações.

Fotos: James Retief / David Grandorge




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