Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Perdemos bibliotecas públicas e com elas um futuro mais inovador


Estes dois prédios, tão distintos, tenho na memória com afeto e gratidão. São duas bibliotecas onde passei horas preciosas pesquisando e aprendendo. A primeira é a Biblioteca pública do estado do Rio Grande do Sul, localizada em Porto Alegre, cidade onde passei anos de minha infância e onde moro atualmente. O outro é a Biblioteca Central do Campus Darcy Ribeiro da UnB, em Brasília, cidade onde morei e comecei a cursar arquitetura.

A pequena que cruzava a Praça da Matriz em Porto Alegre e entrava no prédio imponente, construído na primeira metade do século XX, com projeto de Affonso Hebert, subia as escadas de um edifício escuro em que o pé direito monumental e as salas silenciosas e ricamente detalhadas guardavam tesouros que a impressionavam pela possibilidade do conhecimento. Ali li e aprendi.


A jovem que iniciava o curso de Arquitetura em um campus, na época afastado de casa, passava os dias por ali e muitas vezes se refugiou nas imensas salas do recém inaugurado palácio do saber, como a gente o chamava, e pesquisava de tudo. De livros de arquitetura a livros de história que saciassem sua ânsia de saber.


Desde a antiguidade, as bibliotecas têm sido fundamentais para o armazenamento e a disseminação do conhecimento. Elas são espaços abertos à comunidade, que oferecem um acervo diversificado de livros, revistas, jornais, documentos e materiais audiovisuais. 

Através das bibliotecas as comunidades e pessoas tem também acesso à informação e ao conhecimento. Podem fomentar a leitura que ajuda a incentivar a criatividade e a imaginação e contribuir para o desenvolvimento pessoal, social e cultural. Bibliotecas oferecem acervo diversificado e são espaços abertos à comunidade, oferecendo ainda serviços de orientação e de assessoria. Leia mais sobre o papel das bibliotecas na construção de uma sociedade criativa e inovadora neste artigo onde são ressaltadas essas características que fazem esses templos do saber tão importantes para todos.

Mas se de 2004 a 2011 o país ganhou 1.705 novas bibliotecas. De 2015 a 2020, perdeu ao menos 764, segundo dados da Secretaria Especial da Cultura, do Ministério do Turismo. Ou seja, vamos involuindo na construção de uma sociedade mais inovadora por subtrair locais que poderiam incrementar o saber de forma mais inclusiva e geral. E para quem argumentar que a leitura digital se torna mais constante, vale lembrar que nem só de acervos físicos são feitas bibliotecas públicas. 

Urge uma política pública voltada ao incremento do acesso ao saber de forma ampla porque nunca é demais lembrar que a verdadeira liberdade está no conhecimento. 

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