O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Casa Kiah, um santuário sustentável forte e positivo com home office


Uma herança que a pandemia de 2020 nos lega é uma maior consciência com os nossos espaços residenciais. Fomos obrigados a conviver full time em nossas casas, as usando como local de trabalho e não apenas como dormitórios. Isso fez com que o olhar se tornasse muito agudo para as necessidades e as deficiências a corrigir. Não a toa o boom de reformas e mudanças daqueles que podem se dar a este luxo no período após muitos meses isolados.

Eu mesma tenho escrito menos no blog e isso é consequência direta de toda a gama de emoções que afloraram neste período onde portas se fecham e janelas se abrem

Por isso achei interessante como assunto de volta, trazer esta casa australiana que contempla exatamente essa necessidade de focar em espaços de qualidade em uma casa de campo. Um casal, seus três gatos e a vontade de um "santuário forte e positivo" que incluiu, na reforma da residência, um dormitório que fosse mais que um local de dormir e um espaço para trabalhar com conforto e alegria. Projeto que foi realizado com maestria pelo escritório Austin Maynard Architects. Foi nomeado pela DWELL como Prêmio Best of Design 2018 e teve High Commendation 2018 pela TIDA Austrália em Cozinhas projetadas por arquitetos.




A casa se abre ou fecha à vizinhança conforme a vontade de seus donos. Uma proposta conceito que contrasta com a lógica da vizinhança de muros altos e portões que vedam os olhares para dentro. 

O dormitório, também um local de meditação, se abre para um jardim com cheiros e aromas que estimulam as sensações. E o escritório foi colocado sobre a casa pensando em como separar as funções de trabalho e estar em convivência com a família. Um dos grandes desafios que enfrentamos hoje, com a necessidade de conciliar essas duas atividades em nossas casas. Uma escada separa as funções e o proprietário pode subir os degraus e mergulhar em sua atividade com conforto e privacidade


O dormitório se abre para o mundo. Não apenas o privado, mas também ao entorno, se assim for o desejo do casal.

O conceito é explicado em croquis.


O banheiro segue a mesma lógica e usa da rudeza dos tijolos reciclados para exprimir uma poética de usos que contempla uma banheira e um deck que a transforma em um piso para banhos mais rápidos. Os arquitetos também pensaram na possibilidade de fechamento com cortinas, se houver necessidade de mais privacidade.  



A cozinha, merecedora de uma grande recomendação, tem um detalhe que me chamou particularmente a atenção. Uma ilha que é praticamente uma escultura em madeira e aço inoxidável que ajuda com que a cozinha possa atender à vontade dos proprietários de ser ao mesmo tempo aconchegante e intimista, mas com possibilidade de receber grandes reuniões. 





A reforma também transformou a Kiah em uma casa sustentável de alto desempenho. A madeira usada é reciclada, a ventilação e iluminação natural foram maximizadas para evitar o uso de aquecimento mecânico. Sobre o dormitório foi utilizado um telhado verde que ajuda no isolamento para que o quarto possa manter uma temperatura constante. As águas de descarga e rega do jardim são de água da chuva armazenadas em um grande tanque.

Saiba mais no site dos arquitetos que são a origem das fotos

Austin Maynard Architects

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