A cidade que não te vê: quando o espaço urbano envelhece mais rápido do que aprende

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  Há uma cena que se repete em muitas de nossas cidades com uma regularidade que incomoda. Uma pessoa idosa para na esquina, olha para os dois lados, e espera. E muitas vezes o sinal já abriu. Ela espera porque sabe, por experiência acumulada no corpo, que o tempo de travessia não foi feito para o seu passo. Ela aprendeu a calcular antes de sair de casa. Calcular nas calçadas. E calcular mais uma vez, nas esquinas, enquanto os carros aguardam com uma impaciência que não se disfarça. As engrenagens e buzinas que o digam.  Essa cena dura talvez trinta segundos. Ela não costuma aparecer em nenhum relatório de mobilidade urbana. E é justamente por isso que precisamos falar.  A hostilidade que afasta Existe um tipo de arquitetura hostil que já se fala bastante: o banco com divisória no meio para impedir que alguém deite, o piso pontiagudo embaixo do viaduto, a cerca elétrica que delimita o que é de quem. São dispositivos que dizem, sem ambiguidade, você não pode ficar aqui...

Puxadinho impactante com vigas de madeira

​​Frank Clementi e Julie Smith-Clementi

O que acontece quando um casal de arquitetos resolve fazer um puxadinho com garagem e quartos em sua antiga casa? Julie Smith-Clementi e Frank Clementi, do Los Angeles Rio Clementi Hale Studios, projetaram uma estrutura que ao mesmo tempo causa estranhamento e beleza. Vista isolada a estrutura de dois andares, completamente envolvida por poderosas estruturas verticais de madeira bruta sugere uma curiosidade aos olhares transeuntes. 
​​Frank Clementi e Julie Smith-Clementi

Quando o olhar se amplia ao contexto, a curiosidade ou perplexidade se torna maior. Aparentemente sem harmonia com a antiga construção, o adendo parece no entanto, completamente adequado à ela. 
 
​​Frank Clementi e Julie Smith-Clementi

A casa já vinha de outras reformas e para essa nova adição, tentaram ser o mais honestos possíveis, fazendo o que chamaram de "uma caixa cercada de uma paliçada de vigas". Sim, todos os elementos são estruturais, ou seja, não são fakes ou colocados apenas para efeito estético. Todos tem uma função, inclusive anti sísmica, importante na área onde foram construídas. E ao mesmo tempo oferecem um ambiente de conforto e beleza internos.
 
​​Frank Clementi e Julie Smith-Clementi

Internamente os espaços refletem a pureza do que representam. A boca da lareira se move para aquecer o quarto e a área ao lado. Os imensos panos de vidro trazem luminosidade, os móveis de madeira e a escada se harmonizam com os outros ambientes da casa, ao mesmo tempo que organizam e mostram elementos de estrutura. Nada é escondido e ao mesmo tempo é leve e elegante.
 
​​Frank Clementi e Julie Smith-Clementi

​​Frank Clementi e Julie Smith-Clementi

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​​Frank Clementi e Julie Smith-Clementi

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