Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Casa de luxo com telhado em ondas - simplicidade inteligente


Arquiteto: Robert Greg Shand Fotos:  Aaron Pocock

Uma das manias que tenho é pesquisar no Pinterest. É uma maneira divertida e rápida de encontrar referências com link para os sites de onde foram pesquisadas. A pesquisa me fascina desde sempre, nos projetos algo me chama a atenção: pode ser a forma, algum detalhe no interior, algo que me bate o olhar. Mas na arquitetura, como na vida, não se pode julgar com profundidade apenas por um aspecto. Uma bela casa pode ter sido clicada em seu único ângulo favorável. Outra nem tão bela pode ter um conceito inovador que a torna única. Às vezes também, através de uma imagem chego ao trabalho de profissionais que desconhecia. Muitas das postagens aqui do blog aconteceram assim. Com a imagem da casa em destaque se deu o mesmo. Com um pequeno detalhe que tornou a pesquisa mais difícil.

Arquiteto: Robert Greg Shand Fotos:  Aaron Pocock
  
Não havia muitas informações por lá. Os sites não diziam nada. Foi preciso copiar a imagem, jogar no Google Imagens para descobrir mais uma ou duas fotos, uma com a referência do autor. Greg Shand Architects, um escritório que trabalha no sudeste asiático há mais de duas décadas e é especializado em residências de luxo. Segundo seu site eles adotam "
uma filosofia que conjuga um ethos japonês de menos-é-mais com os valores ocidentais" e criam espaços que conjugam sustentabilidade e simplicidade inteligente. 

Arquiteto: Robert Greg Shand Fotos:  Aaron Pocock

Simplicidade inteligente em uma residência de alto luxo não deixa de ser um termo intrigante. No caso em questão, é uma casa situada em um condomínio náutico e que tem inspirações náuticas. Até aí, demonstra coerência. O que chama a atenção e a difere das propostas mais comuns é o telhado em forma de onda que evoca veleiros e mares e que fornece sombra nos locais certos e se abre nos outros. Uma correta insolação é uma das virtudes de uma simplicidade inteligente ao meu ver. 

Os materiais utilizados no telhado lembram cascos de navio, como a teca reciclada na parte inferior. A casa também conta com grandes esquadrias deslizantes que permitem uma ventilação cruzada eficiente de maneira natural, minimizando a necessidade de condicionamento artificial.

Arquiteto: Robert Greg Shand Fotos:  Aaron Pocock

Arquiteto: Robert Greg Shand Fotos:  Aaron Pocock

Arquiteto: Robert Greg Shand Fotos:  Aaron Pocock

Arquiteto: Robert Greg Shand Fotos:  Aaron Pocock

Os espaços internos seguem a proposta de referências aos navios tanto nas formas arredondadas, tão necessárias em alto mar, para evitar acidentes com o balanço dos barcos, como nos materiais assépticos como o aço inoxidável. 


Eis então o resultado da pesquisa: casa de alto luxo que traz um apelo "ecológico" e de simplicidade e cujo telhado curvo ainda me parece ser seu atrativo principal.

O que acharam?


Arquiteto: Robert Greg Shand
Fotos:  Aaron Pocock
2010 Sentosa Cove - Singapura

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