Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Mini studio em 12 m2

Vocês tem noção do que seja 12 m2? Um quarto , hoje talvez um quarto até razoável, mas mesmo assim um espaço pequeno para abrigar todas as funções de um studio, mesmo pequeno. Foi o desafio que a arquiteta francesa Julie Nabucet resolveu em Paris.

Como ela fez isso? Usando do velho estratagema de combinar um bem cuidado projeto de marcenaria (que não saiu barato) com um tablado onde escondeu a cama e posicionou uma mini cozinha e um micro banheiro.

 Como em todo micro espaço, todas as funções são muito bem pensadas e planejadas de forma enxuta. E as separações são com vãos que permitam a separação física sem barrar a luz.

 Entre a sala/dormitório temos uma estante vazada que serve para acomodar livros e microondas. 

 A instalação hidráulica serve tanto para a cozinha como para o banheiro, sendo que a pia foi colocada fora do recinto, na mesma bancada da cozinha, com separação por uma estilosa divisória. O espelho é móvel e pode ser usado quando necessário.


Móveis que se transformam, escadas que guardam gavetas, tudo milimetricamente pensado para ampliar o espaço muito pequeno.  
Interessante? Sem dúvida. Engenhoso também. E relativamente caro já que o projeto tem que ser muito bem pensado e a execução tem que primar pela qualidade para não emperrar ao longo do uso. Vale a pena? Em Paris onde o m2 deve ser astronômico, creio que sim. Quem usaria? Alguém sem muitos amigos, que viva relativamente só e que faça questão de morar nesses pontos por comodidade ou utilidade. Mas são soluções. 




Vejam mais projetos compactos AQUI


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