Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Uma linguagem universal onde todos somos fluentes. E você talvez nunca tenha se dado conta disso

Nesse nosso mundo de Babel com distâncias virtuais curtas e acesso físico facilitado (se você tem dinheiro e não é refugiado), a comunicação direta e rápida é um atrativo instantâneo. Saber várias línguas ajuda bastante, ter um tradutor simultâneo (sempre lembro de Star Trek e do seu tradutor universal...) mas e se eu te dissesse que sim, existe uma linguagem de alcance poderoso onde todos somos fluentes?

Tudo bem, confesso, eu também nunca me tinha dado conta até escutar esse TED Talk onde o ilustrador Christoph Niemann falou sobre ela.



Já captou qual é??? 

A poderosa linguagem das imagens!!!

Imagine-se chegando em um aeroporto na China. Sem interprete e digamos que não existam traduções para o inglês. E deu uma dor de barriga??? Vai dizer que o pictograma de banheiro não é a imagem mais maravilhosa que você já teria visto na vida???

Então vemos que as imagens comunicam de maneira rápida e eficiente. E sim, nos despertam emoções sem palavras ou letras!
Para atingir essa comunicação artistas e profissionais do design pensam muito porque toda a simplicidade de um traço passa por muita pesquisa, aprofundamento e necessitam conhecer a bagagem cultural e vocabulário de um povo, de uma época, de um local para atingir aquele momento de encontro que vai fazer o usuário sentir a imagem dentro de si. Isso faz a diferença entre um risco e uma imagem que desperta empatia. Aí se estabelece a magia.

Na Arquitetura o processo não difere muito. Talvez o produto criado não precise ser tão sucinto, mas a imagem deve falar por si para criar essa interação com o cliente, que seja capaz de faze-lo enxergar dentro dele o espaço que será construído.

Em tempos de tecnologia 3D, com possantes equipamentos que fazem as pessoas entrarem em ambientes que será reais no futuro, essa magia do dialogo criativo entre arquiteto e cliente se faz mais fácil. Mas até que isso se torne realidade para todos, e talvez seja uma utopia para um futuro mais distante, o saber se expressar por imagens é um potencial diferenciador estratégico. 



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