Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

A arquitetura deve ser um ato de generosidade.

Como não parar e ler essa entrevista dos arquitetos Anne Lacaton e Jean Philippe Vassal para o Expresso? 

Nesses dias de muita animosidade e opiniões extremadamente apaixonadas sobre tudo, é um alento ver profissionais que pensam - e agem em suas práticas - com uma visão mais humana e menos tecnológica. Os arquitetos ganharam o Prêmio Carreira da Trienal de Lisboa. Com patrocínio da Fundação Millennium BCP, esta premiação distingue arquitetos "cujo trabalho e ideias tenham influenciado e continuem a ter um profundo efeito na prática e no pensamento da Arquitetura atual." (Fonte)

Maison Latapie
 Fala-se muito de sustentabilidade, mas depois constroem-se projetos muito ecológicos e demasiados dispendiosos em terrenos vazios. Ecologia são as pessoas. Às vezes as coisas estão escondidas, parecem ser quase interditas, mas são possíveis de realizar. Nas nossas estruturas não há matéria inútil. Utilizamos o que é justo e necessário, aproveitando o ar, a luz, ou a simples sensação de bem-estar e de abertura que se pode transmitir olhar a cidade a partir de um terraço e não de uma janela minúscula.

Fonte
Sua atuação tem um foco na reutilização antes da demolição para novas construções. "Nunca demolir, nunca remover ou substituir, sempre adicionar, transformar e reutilizar!" poderia sintetizar o seu trabalho. E eles tem usado esse conceito em práticas de transformação de habitações de cunho social através de soluções que as reabilitam para o uso, acrescentando qualidade e bem estar ao usuário. 
Fonte

 É preciso encontrar o equilíbrio no espaço que protege e simultaneamente se abre ao exterior. Não podemos criar espaços que criem constrangimentos. A ideia é encontrar as soluções mais simples. Esse é o grande desafio da arquitetura deste tempo.
Concurso para novo bairro em Dublin


A olhar e refletir. Esta é a chave da aprendizagem. Parece um cliché mas é uma coisa muito concreta. Ensinamos que é mais importante olhar para a cidade do que para o computador e que é preciso encontrarem as suas ideias não a partir da teoria mas da observação e da reflexão. Ensinamos a coragem de ter opiniões e a liberdade de pensar, de sonhar e de realizar o sonho. Muitas vezes, nas escolas impedimos o sonho de existir. Chega um professor e diz: “Isto não pode ser assim, nunca será autorizado”, e depois pode. Acreditamos numa arquitetura em que o sonho de realizar continua em permanência.

Jean Philippe Vassal e Anne Lacaton - Arquitetos
Leia a íntegra da entrevista AQUI  

Recomendo também a leitura do artigo: Arquitectura pela arquitectura (onde o autor faz "a defesa de que o trabalho de Anne Lacaton & Jean-Philippe Vassal, na sua singularidade, foi capaz de definir um tipo de artisticidade para a arquitectura no qual ética e estética não se distinguem.")

Abaixo um vídeo com palestra dos arquitetos onde eles apresentam projetos e falam principalmente sobre "INHABITING, USE, PLEASURE e FREEDOM. Habitar (além do funcional) é sobre o prazer, a generosidade e a liberdade de ocupar o espaço ao redor e na frente de si mesmo. Arquitetura significa construir multidões de situações de uso - conectadas, cruzadas e móveis - que facilitam a apropriação do espaço. A economia é um instrumento de liberdade que, longe de restringir e diminuir, abre possibilidades e fornece margens de generosidade e extraordinárias. Além de qualquer determinação estética e formal, além de regras, padrões e programas, os edifícios são bonitos quando as pessoas se sentem bem neles, quando a luz interior é linda e o ar é agradável, quando a troca com o exterior parece fácil e gentil, e quando usos e sensações são inesperados."

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