Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Fora - adverbialmente falando

Não vou falar desse Fora que está na boca do povo. Nem daquele outro. Não que não tenha partido nesses Foras. Todos temos. Mas é que aqui prefiro falar naquele significado da parte exterior, aquele espaço público ou semi público que convida ao encontro. 
Significado de Foraadv.Na parte exterior, na face externa.Em outro local que não aquele em que habitualmente se reside.Em país estrangeiro.interj.Voz áspera para expulsar alguém de um recinto, vaiar ou patear interpretação teatral ou musical, discurso político etc.prep.Exceto, com exclusão de, além de.loc. prep.Fora de, sem; distante de; do lado externo: fora de propósito; fora de casa.s.m.Erro grosseiro; rata; fiasco.Recusa.Dar o (um) fora, recusar-se a satisfazer a pretensão de alguém; romper namoro; ir-se embora, raspar-se.Levar um fora, ser rejeitado, sofrer recusa.

Fora da caixa - Foto de Telmo Afonso
Há espaços que com poucas intervenções pode se tornar uma praça de convívio. É o milagre da inclusão e as vezes nem é preciso se gastar muito. Basta pensar um pouco Fora da Caixa. De criatividade é feita a construção de boas soluções.
Quando fora é um somar
 Há pequenos atos que simbolizam muito. Cadeiras prá fora significam um ato de vizinhança e um chamamento ao diálogo. Sim, sou do tempo em que as pessoas simplesmente tinham o hábito de sentar na frente de suas casas para matear, conversar e conviver. E nem era preciso caçar bichinhos...  
Na varanda
Hoje talvez as varandas nos simbolizem uma vida fora que gostaríamos de reavivar. Um contato com o ar e a Vida que pulsa fora de nós, de nossa célula de refúgio.
Nas festas
O fora das festas. O fora das alegrias e da união de vivas e de sorrisos. Os momentos em que a mesa nos une e as flores nos trazem refúgios de esperança e energia boa.

A água
 O fora das águas e de sua intensa ligação com energias vitais que nos trazem memórias ancestrais. Talvez uterinas. Talvez universais. 
No balcão
O fora do verde e do simbolismo da vida que se renova em todo novo dia. Quem tem o privilégio de poder fazer sua primeira refeição em uma varanda, respirando o ar da rua, sabe do que falo.
Na Provence
O fora das viagens que nos levam para novos mundos, novas possibilidades e novos aprendizados,
Cinema lá fora
O fora das criações de equipamentos que nos ligam com o mundo, com as pessoas e sempre nos enriquecem. 

O FORA sempre é uma manifestação de vida e vontades. Nem sempre concordamos com eles. Nossos vieses pessoais esconjuram alguns e saúdam outros. E que bom que assim seja. Isso se chama democracia. O dia em que os nossos FORAS forem reprimidos luzes se apagam no nosso crescimento como sociedade. Que possamos gritar nossos FORAS com liberdade para que possamos encontrar o que nos une com a consciência do que nos divide.

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