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Inteligência Artificial urbana - #invasãoholandesa

As cidades estão em constante evolução. Em uma sociedade cada vez mais urbana como a nossa necessitamos de ferramentas para definir aspectos do planejamento urbano. E ferramentas que possam acompanhar a intensa velocidade das transformações. Falamos já aqui no blog sobre isso em Mobilidade Digital.

Além das interações reais, vivemos dias de amplificação das interações virtuais. Tudo isso gera um fluxo imenso e adicional de informações que aumentam a complexidade das decisões e antecipações dos gestores urbanos. E na busca de maneiras de compreender isso alguns países tem incentivado pesquisas sobre tecnologias que possam desvendar esse desafio. É o caso do jovem pesquisador holandês Mark van der Net.

Mark, arquiteto e programador, utiliza a tecnologia da informação para explorar, visualizar e entender como as cidades operam todos os dias como uma fonte de tecnologia social e inteligência coletiva. Ele foi um dos invasores holandeses estiveram em São Paulo e palestraram no Festival Path. Sua palestra tinha como título: “Exercícios da IA (Inteligência Artificial) urbana”. Vocês já ouviram falar dele aqui no blog quando falei sobre um projeto open source que teve a sua participação.

Na palestra Mark van der Net expôs seu trabalho onde tenta reunir dados coletados através de variados tipos de informações, inclusive as que trafegam na web, principalmente nas redes sociais, para apresentá-los com ferramentas que ele desenvolve, que visam dar melhor compreensão das cidades que estuda.

O pesquisador postula que a vida nas cidades não é como outrora já que o componente virtual agora é muito forte, e que a compreensão da vida urbana já não pode prescindir deste enfoque. Obvio que ele considera a totalidade da população conectada e ativa na rede, realidade que talvez espelhe melhor seu continente e país de origem que outros mais carentes de infra estrutura básica e onde nem toda a população está tão conectada à web.



Um ponto interessante é quando consegue relacionar dados de georreferência contidas nas imagens do pinterest, o idioma utilizado (para reconhecer percursos de turistas, ou de comunidades de estrangeiros quando se fixam em alguma região), ou buscas por imóveis para identificar tendências (residenciais e comerciais), cruzando dados com os perfis dos usuários. 
Não conseguimos fotografar imagens boas para exemplificar porque ele apresentou em vídeo, então aproveitamos um vídeo com exemplos de Hong Kong da ferramenta para que pudessem sentir o que ele faz. 

Babel Hong Kong preview from OSCity on Vimeo.

Cada ponto em movimento que vemos no vídeo significando uma mensagem, imagem enviada, link, enfim informação transitando pela web, marcando origem e destino, cada um caracterizado por detalhes como cores ou avatares que enriquecem a leitura dos dados, incluindo tempo, identificando usuários, etc...

Os pontos verticais marcam atividades de robots. Ou seja, são máquinas dedicadas à alguma tarefa específica, daí a regularidade da linha, marcando uma atividade repetitiva, digamos, pouco relacionada com as atividades humanas que a ferramenta objetiva dar leitura... 

Sob o nosso ponto de vista a ferramenta mostra tudo, incluso o que não interessa, talvez seja o caso de aplicar filtros para cada função específica, como se faz em qualquer busca. Mas por outro lado, pode também mostrar pontos localizados e as atividades que ali se concentram. Não pude deixar de imaginar se não serviria para mostrar quem posta o quê e onde a nossa privacidade se refugiaria....se é que nos resta alguma privacidade nesses dias de intensa conexão e de vida exposta que vivemos hoje. Mas pode ser minha eterna mania de conspiração...

Essa ferramenta em particular nos pareceu, como urbanistas, e num primeiro olhar, um pouco complicada, mas acreditamos que sabendo o que procurar, e com algum hábito, se torne bem factível. O Mark desenvolveu mais de um programa como este, e há mais informações acerca no seu site. Lá podemos ler que:

Open Source Cidade visualiza a quantidade crescente de dados através de mapas de fácil acesso, permite combinar diferentes fontes de dados, e mostra diferentes exemplos de que tipo de novas respostas espaciais do aparelho de dados pode oferecer às questões no domínio da energia, mobilidade, água , verde, vaga e patrimônio.

A sua utilidade se revela no seu uso em cidades em constante transformação. Com poucos toques se pode ter acesso à variadas informações e fazer correlações entre elas. Uma ferramenta que pode vir a ter utilidade para administradores urbanos. A ser comprovada pelo uso.
Há um vácuo entre o mundo virtual de cidades inteligentes e a realidade física de cidades e seus fluxos de pessoas e mercadorias; seus locais de importância em valores, onde cada aspecto da vida urbana diária vêm do conjunto para ser consumido. Este vácuo é uma ameaça real para a vitalidade urbana, qualidade de vida e a funcionalidade eficaz e financeira necessária para governar nossas cidades. A atribuição para os profissionais urbanos é proporcionar um processo de integração do mundo virtual de dados de código aberto coletivas e realidade física, também conhecido como o domínio público das nossas cidades. Peter de Bois, architect urban designer

O que podemos aprender com esse invasor holandês? Há um campo a ser pesquisado com a interação de dados virtuais. As cidades de hoje tendem a ser locais de imensas interações que devem ser analisadas cada vez mais em tempo real. Pesquisas e ferramentas devem ser incentivadas via verbas e apoio para que possam se viabilizar. Compreendemos que é um começo. Ainda há um longo caminho a ser descoberto, pesquisado e colocado na prática para que se consiga "tirar leite de pedra", ou seja, realmente poder usar as informações de forma focada e com utilidade para a maioria da população. 



O blog foi convidado pela KLM e pela www.b4tcomm.com para o evento – (Super obrigada). Como não pude ir pessoalmente, os colaboradores especiais Oscar Muller e Silvana Moracchiolli lá estiveram e são deles as fotos.  

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