Pular para o conteúdo principal

Smart City Social no Brasil - Laguna EcoPark

Uma cidade inteligente no Ceará para pessoas de baixa renda. Li um artigo com este título e fiquei realmente muito curiosa. 

Diz o artigo que " o espaço permitirá que pessoas de baixa renda deixem os subúrbios para viver em uma região altamente tecnológica, com Wi-Fi liberado, aplicativos específicos para moradores,compartilhamento de bikes e motos, bem como reaproveitamento de água e controle inteligente da iluminação pública".

Fui atrás de mais informações e achei o vídeo abaixo. Fiquei ainda mais boquiaberta: é tudo o que o Minha Casa, Minha Vida deveria ser! Tecnologia, sustentabilidade, arquitetura arrojada. E tudo isso para pessoas de baixa renda! Qual a receita?  


Pois é....

É uma iniciativa israelense (Star TAU) e italiana (Planet e SocialFare), na cidade de São Gonçalo do Amarante, no Ceará. Os lotes de 150 m2 teriam um preço de R$ 24.300,00, podendo ser pagos em até 120 vezes (!) com correção obviamente).
Laguna Ecopark - Ceará smart City
Smart City Laguna Ecopark


A ideia da smart city social insere-se em um contexto internacional que identifica, sobretudo nos países emergentes, dois fenômenos: 1) os fluxos migratórios dos campos levarão a população que vive nas cidades dos atuais 50% a um percentual de 80% nos próximos 25 anos; 2) 27% da população mundial têm menos de 15 anos. Isso quer dizer que, nos próximos anos, essas pessoas entrarão para o mercado de trabalho e precisarão de casas e serviços. “Essa tipologia de cidade nasce para gerir de forma ordenada tais fluxos com serviços inovadores”, disse Gianni Savio, diretor geral da Planet Idea, à revista Comunità Italiana. Fonte: Conib Org
Achei a proposta muito interessante, mas confesso que tenho algumas dúvidas sobre a real possibilidade das pessoas de baixa renda poderem se fixar nela. Uma delas era a proximidade dos postos de trabalho. Li em um dos textos que ela está próxima de um grande complexo industrial e portuário. Pode ser um atrativo para os funcionários das empresas desse pólo.

Mas pela concepção do empreendimento me parece que será um local de alta valorização e temo que as pessoas de baixa renda sejam afastadas pela tentação da revenda com alto lucro. Realidade aliás, bastante comum no nosso país. Lembro que Brasília tinha essa proposta de oferecer espaços nobres para pessoas de baixa renda e elas acabaram morando bem longe dali. 

Enfim, não quero de maneira nenhuma colocar senões, mas ainda não tenho claro o custo real do lote, casa e manutenção. E se este tipo de empreendimento tem algum subsidio ou se realmente a tecnologia permite que a iniciativa privada ofereça tal tipo de solução por um preço e qualidade justas e obtenham lucro com ela. Torço para que sim. Mas ainda quero saber mais a respeito.

Leia também:



Nos siga também nas redes sociais


Twitter  Flipboard  Facebook  Instagram  Pinterest  snapchat: arqsteinleitao

Comentários

Postar um comentário

Sua opinião é super importante para nós ! Não nos responsabilizamos pelas opiniões emitidas nos comentários. Links comerciais serão automaticamente excluídos

Postagens mais visitadas deste blog

Slim Fit, uma micro casa que tem muito espaço

  Uma micro casa vertical de 50m², vencedora do Design Awards 2018 na cateHabitat, chamada de SLIM FIT House pela arquiteta portuguesa radicada na Holanda, Ana Rocha , é uma proposta de moradia permanente para pessoas que moram sós nas grandes cidades. Segundo o site da arquiteta, a micro-residência, que ocupa menos que duas vagas de estacionamento, tem como conceito ser projetada " para o grupo crescente de solteiros que preferem a localização ao invés do tamanho, e que desejam viver de forma compacta, mas confortável, durável, cheia de identidade e, acima de tudo, centralmente em contextos urbanos." A casa vertical joga bem com a equação sensação de espaço e economia de metragem. Setoriza área de alimentação, refeições e despensa no térreo. Uma escada, sutilmente mesclada a um armário estante faz a ligação aos outros andares. No segundo, um estar e dormitório e banheiro no terceiro.     Fotos: Christiane Wirth Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Faceboo

Redes sociais, o aprendizado e as interações perdidas e achadas

Sim que a vida digital trouxe uma série de vantagens em nossas vidas. Posso ser jurássica e em muitos casos, ainda analógica, mas amo uma interação social e profissional virtual. Um dos grandes locais onde conheci vários amigos super queridos, profissionais, que tanto me acrescentaram, foi o grupo de Arquitetura do Yahoo. Lembro até hoje quando li em uma revista de arquitetura sobre ele, me inscrevi e lá estava eu no meio de debates de todas as matizes e locais. Por isso senti profundamente quando os grupos daquela plataforma foram extintos.  Leia também  Nuvem passageira Por sorte, também sou acumuladora em redes virtuais . Meu espaço de email guarda uma série de debates desde 2005. Às vezes volto a eles e constato o quanto tem de assuntos relevantes, inclusive para os dias atuais. Fazendo uma breve reflexão tendo a pensar que, nesses 15 anos de interação virtual e convivência em redes, perdemos muito em profundidade de debates, embora tenhamos crescido em possibilidades. Lógico que f

Transformando um problema em solução - impressão 3D

Uma cabana feita com impressão 3D usando concreto e uma madeira que era imprestável, porque destruída por um inseto invasor, é o projeto realizado pelos professores de arquitetura, Leslie Lok e Sasa Zivkovic, da Cornell University. O Emerald Ash Borer é um besouro que ataca bilhões de freixos em todos os Estados Unidos e as inutiliza para o uso comercial. fazendo com que as árvores infestadas sejam queimadas ou simplesmente largadas como refugo. Foi pensando neste problema que os pesquisadores da HANNAH chegaram a essa solução de aproveitamento da madeira para construção. Para tanto construíram uma plataforma robótica para processar essa madeira que seria descartada. Como isso foi feito? Usando um braço robótico que antes construía carros e foi adaptado para dar forma à madeira, aliado a um sistema de impressão 3D que usa uma quantidade mínima necessária de concreto. O resultado? Fotos: HANNAH / Andy Chen / Reuben Chen Nos siga também nas redes sociais Twitter   Flipboard   Facebook  

Dicas para economizar na conta da luz

  Não bastasse os sustos do ano, os gastos do fim dele (ufa!) que não são apenas presentes, mas impostos, 13°, etc, etc, vamos ter também bandeira vermelha nas contas de luz. A Agência Nacional de Energia Elétrica já tomou essa decisão, que começa a vigorar no começo de dezembro.  O verão se aproxima com promessas de muito calor, estamos usando muitos aparelhos em casa para manter nossa rotina e trabalho seguindo. Então o que podemos fazer para economizar e não levar (tanto) susto na hora de pagar a conta?    Consciência Em primeiro lugar: consciência. Parece básico, mas não é. Sabe aquele ato automático de abrir a geladeira e ficar pensando no que vai comer? Ou beber? Não faça. Deixar acesas luzes em ambientes onde ninguém está. Apague. Lembro sempre do meu pai que nos incutiu essa cultura do não desperdício desde pequenos. Assimile e passe adiante. Splits e ar condicionado Este será um verão atípico porque muitas vezes teremos que abrir mão de ventilação mecânica em função da pandemi