Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Refunc - do lixo à nova utilização

Uma construção no mínimo curiosa que vi na web me levou a conhecer um grupo muito interessante. O Refunc. 
A construção é esta. Chama-se Maisongomme e parece exatamente o que é: uma casa feita de sucata. Restos de madeira, vidros isolantes e bandejas de aço inoxidável  que sobravam aqui e ali.
E a grande sacada (e o que me chamou também a atenção) é o uso de pneus de carros no revestimento. Usados junto com isolantes tornaram esta construção impermeável e bem própria para o inverno holandês. (vejam aqui como está a construção hoje)
Tudo bem, é revolucionário talvez para o mundo europeu, todo mais certinho. Talvez nem tanto para a nossa realidade terceiro mundista. Se chegarmos em qualquer comunidade mais carente vamos ver algo semelhante. 
 
Mas mesmo assim achei bem interessante a proposta do grupo de trabalhar com materiais e espaços descartados, usando-os como suporte da proposta de reformulação. Refuncionamento.

A proposta é exatamente esta: redefinir usos, mostrar que do lixo pode haver uma reutilização criativa. 




Um outro exemplo do trabalho do grupo foi feito em Hoge Woerd, onde uma instalação em escala humana foi criada para mostrar o potencial de re-uso de velhas garrafas de plástico. Segundo eles o "resultado interessante deste estudo foi que a queda de umidade e temperatura da noite mudou a forma e a tensão no interior da estrutura."
Abaixo outros trabalhos do grupo em áreas como Arquitetura, interiores, espaços públicos, sempre usando o conceito de ressignificar o lixo urbano. Uma instalação com engradados, um teatro de paletes, um imenso balanço comum de pneus. Um resgate ao uso de materiais que seriam descartados.





Photo © Jan Körbes / Refunc 

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