Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

Imagem
Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Preto no Branco

Espaços mudam de aspecto dependendo das escolhas que elegermos. Um exemplo bem interessante é este projeto da designer ucraniana Elena Fateeva que coloca toques pontuais de preto em um espaço todo branco. O minimalismo do apartamento se quebra em tom dramático com o contraste.
 
O uso do branco cria uma sensação de amplidão e assepsia. O uso da cor escura pontua. Dirige. Fica nosso olhar em pontos de interesse elencados pelo projetista de forma precisa. É como se ele nos pegasse e apontasse locais onde quer que fixemos nossa atenção.


 
Um projeto simples. Marcenaria reta e enxuta. Uso econômico de adornos. Mas onde se nota cada intenção da intervenção. Nada é colocado ao acaso. Tudo está na justa medida. 

Preto no branco. Perfeito.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DIREITO À PAISAGEM

Processo da Arquitetura

10 motivos para NÃO fazer arquitetura

A cidade também envelhece. E a casa, às vezes, envelhece antes de nós