Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Alquimia transforma material de demolição em projeto premiado

Uma casa/estúdio que ressurge da utilização de material de demolição de outra. Projeto premiado na IX Bienal de Arquitectura y Urbanismo 2014, obra do escritório paraguaio Estúdio Elgue.





Todos sabemos que o setor da construção civil é um dos que mais geram gastos energéticos, seja na indústria de componentes, seja nos retrabalhos e material jogado fora. Quem já fez uma pequena reforma sabe o quanto saí de caliça e material em inúmeros sacos e entulhos. Tudo isso é gasto. Tudo isso é desperdício. Imagine grandes obras! Muito se tem pesquisado e procurado soluções para resolver e/ou minimizar esse problema, mas ele ainda existe. É pensando nessa realidade que surge esse projeto de casa/escritório que não apenas reaproveita esse material de demolição, como o utiliza em novos usos.  
 
 
Os autores estimam que o custo da obra seja menos da metade do que de uma construção tradicional.
 


 Algumas soluções de projeto incluem:
  • Usar o tijolo sem revestimentos, mantendo a sua textura natural contrastando com as paredes que permaneceram tratadas com gesso e cor.
  • Tijolos foram usados como respiros e circulação de ar em uma solução bem original. São fechados com os vidros da antiga construção que foram cortados e adaptados para novos usos. 
  • Uso de um sistema de circulação de ar por meio de janelas baixas e altas para entrada e saída do ar, sistema bastante conhecido na arquitetura bioclimática como efeito chaminé.
  • Detalhes de iluminação natural nas paredes e telhados permitindo uma economia em iluminação artificial. 
  • Esquadrias foram feitas com reaproveitamento da madeira existente no canteiro. 



 
A concepção do projeto privilegiou o que os arquitetos chamam de esboço, como se as linhas saíssem livres e a edificação se reunisse ao entorno como se fosse uma pele, com "respiração" e pulsação através de aberturas e efeitos de luz sejam de dia ou a noite.  
 
Um resultado instigante, uma solução formal que de certa forma incomoda ao convencional, mostra a pele, mostra a entranha, faz ver o material em sua brutalidade e ao mesmo tempo poesia. Arquitetura.
 
Dica da Colega Arq. Tanise Duarte
Local - Assunção - Paraguai 

Comentários

  1. Muito lindo este projeto!

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  2. ...apaixonante...natural..."saber fazer"... não precisa e não deve seguir padrões...simplicidade sinal de bom gosto...natureza em 1⁰lugar...!!!

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  3. Que demais.Otimo seria se a maioria pensasse assim.

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    1. Muitos já estão se dando conta de que preservar é uma ótima atitude

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