Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Sonho de habitar - casa na árvore

Casa na árvore. Lembra infância, não lembra? Quem nunca quis secretamente ter um refúgio para chamar de seu, sumir do mundo e poder brincar de Peter Pan por algumas horas? Eu quero. Muitas e muitas vezes. 

Confesso que uma cabana no meio do mato também me faria sentir uma espécie de fuga para uma Pasárgada particular. 

O que teria esse sonho meu? 

Um muito de cheiro verde. Mato. Mas não fechado, mato que fosse denso para cheirar bem, mas que deixasse filtrar a luz que sou pessoa movida à sol. 

Longe do chão para que as feras de sempre, reais e imaginárias, não me alcançassem. Pelo menos não com facilidade.

Um muito de aberturas. Nada de trancas, nada de barreiras. Apenas refúgio. Abrigo da chuva, do vento, mas abrigo que protege não que afasta.

Uma rede para chamar de minha. Sentar em uma rede e contar nuvens, achando formas estranhas e conhecidas é algo que chamo de terapia. Minha terapia. 

Outra é ouvir os sons da natureza. Assobios das folhas. Canto dos pássaros. Farfalhar das formas e meios que houver na mata.
Um muito de sonho. Um pouco de vida. Um fogão a lenha, uma mesa grande de madeira para fazer um pão gostoso, um pouco de flor dentro da casa. Uma cama imensa, bem fofa e cheia de aconchego, com colcha de retalhos feita por vó e travesseiros de pena. 

Um banheiro com ducha bem forte, um lugar onde a água me faça cantar. E onde ninguém me ouça. Aberto e protegido. 

Talvez meu sonho de casa na árvore seja uma metáfora de meu interior, de minha vida, um desejo de proteção e liberdade. Uma mistura de ir e ficar. Um misto de ousadia e cuidado. 

E o seu? Qual o seu sonho de habitar? 

Fonte das fotos : pinterest

Comentários

  1. É um de meus sonhos até hoje em dia. Adoro a Mata Atlântica e sempre imagino a possibilidade de ter uma assim.

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