Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Sonho de habitar - casa na árvore

Casa na árvore. Lembra infância, não lembra? Quem nunca quis secretamente ter um refúgio para chamar de seu, sumir do mundo e poder brincar de Peter Pan por algumas horas? Eu quero. Muitas e muitas vezes. 

Confesso que uma cabana no meio do mato também me faria sentir uma espécie de fuga para uma Pasárgada particular. 

O que teria esse sonho meu? 

Um muito de cheiro verde. Mato. Mas não fechado, mato que fosse denso para cheirar bem, mas que deixasse filtrar a luz que sou pessoa movida à sol. 

Longe do chão para que as feras de sempre, reais e imaginárias, não me alcançassem. Pelo menos não com facilidade.

Um muito de aberturas. Nada de trancas, nada de barreiras. Apenas refúgio. Abrigo da chuva, do vento, mas abrigo que protege não que afasta.

Uma rede para chamar de minha. Sentar em uma rede e contar nuvens, achando formas estranhas e conhecidas é algo que chamo de terapia. Minha terapia. 

Outra é ouvir os sons da natureza. Assobios das folhas. Canto dos pássaros. Farfalhar das formas e meios que houver na mata.
Um muito de sonho. Um pouco de vida. Um fogão a lenha, uma mesa grande de madeira para fazer um pão gostoso, um pouco de flor dentro da casa. Uma cama imensa, bem fofa e cheia de aconchego, com colcha de retalhos feita por vó e travesseiros de pena. 

Um banheiro com ducha bem forte, um lugar onde a água me faça cantar. E onde ninguém me ouça. Aberto e protegido. 

Talvez meu sonho de casa na árvore seja uma metáfora de meu interior, de minha vida, um desejo de proteção e liberdade. Uma mistura de ir e ficar. Um misto de ousadia e cuidado. 

E o seu? Qual o seu sonho de habitar? 

Fonte das fotos : pinterest

Comentários

  1. É um de meus sonhos até hoje em dia. Adoro a Mata Atlântica e sempre imagino a possibilidade de ter uma assim.

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