O espaço que envelhece com você: o que a arquitetura tem a ver com os seus próximos 30 anos

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Imaginemos uma manhã comum em qualquer cidade por aí: alguém acorda, vai ao banheiro no escuro, tropeça no batente que nunca incomodou tanto antes, segura a parede porque não há barra de apoio, e pensa que está ficando velho. Não está. Está vivendo num espaço que nunca foi pensado para o corpo que ele tem hoje. Esse é o ponto que me interessa. Envelhecer todos (os que tiverem sorte) vão. Mas até que ponto a arquitetura ignora estes processos? As projeções nos dizem que o Brasil vai ter 58 milhões de pessoas com mais de 60 anos em 2060. E o que estamos construindo para receber esse contingente? Apartamentos com corredores de 80 centímetros. Banheiros onde dois adultos mal conseguem se virar. Entradas sem rampas. Calçadas que parecem ter sido projetadas para testar equilíbrio. A cidade, como eu costumo repetir por aqui, nunca te viu. E a maioria dos lares também não. "Aging in place" não é um conceito de design escandinavo importado para Instagram. É o direito de permanecer no ...

Mural do afeto

Vi esse nome em uma foto na web e amei! Coisa mais linda a gente organizar um mural de afetos. Em nossas vidas! Reuni um monte deles para servir de inspiração.

Como muitos sabem, minha rotina nos últimos meses incluiu idas diárias ao hospital onde meu pai se recupera de uma situação bem complicada. Transitar por salas de espera de CTIs e Unidades Especiais de tratamento é uma pós graduação de vida. Ali, no limiar da morte, convivendo com a luta das equipes médicas a quem tanto admiro, com o sofrimento e impotência das famílias que se unem em uma rede de solidariedade, vemos o quanto o afeto é importante para a nossa vida. E mais ainda em dias de tanto individualismo. Nessas horas em que os objetivos, os lucros, as conquistas materiais passam a ser secundárias, vemos que a grande conquista na vida é ter família, seja de sangue ou de coração. É dar e receber afeto, amor, carinho.   

Talvez por isso, essas fotos que reúnem mostras de afeto dentro de nossas casas tenham me tocado tanto.

E hoje, ao acordar me deparei com duas publicações no Face que me fizeram sorrir. Uma foto do DecoraCasa da Flávia Ferrari com um mural de fotos, justo o tema que ia começar a escrever. E outra de um projeto lindo da Talita Ribeiro, o Projeto Cartas para o Futuro. Eu já me dispus a participar e recomendo MUITO a leitura do texto. 

Cada vez mais me convenço que as redes sociais são um caminho lindo para conhecer pessoas e fazer coisas boas juntos. Elas são como a vida, tem coisas boas, tem as ruins, cabe a nós a escolha.  
Formar redes de afeto, expo-los de forma bonita! Saibamos criar laços que sempre nos fortaleçam nas horas em que mais precisemos. Saibamos dar de nós, seja em forma de palavras, de gestos, de atos concretos. Que os nossos talentos sirvam para além de nossa sobrevivência, que sirvam de alento e motivação para que mais pessoas possam realizar os seus.
E que lindo ter em casa murais de afeto. Lembranças de momentos lindos de vida, de pessoas que nos fazem bem. Murais com os desenhos de nossos filhos, netos. Esses dias fui atrás da minha certidão de nascimento, e na pasta de meu pai onde ela se encontra, estão desenhos que fiz desde muito pequena. As cartas que mandei, os recortes de jornal com noticias e coisas que escrevi. Uma pasta de afetos! Fiz uma viagem no tempo e fortaleci os laços imensos que nos unem. Hoje é minha vez de ter força e retribuir, um pouco, esse imenso amor e carinho que me formou.
Não apenas murais em paredes formam esses murais de afeto. É abrir um livro e ver uma dedicatória, é achar um cartão de carinho escondido nas páginas. É gostar mais do cartão que do presente de aniversário. É se doar.
Murais de afeto são parte preponderante de nossas vidas. É o amor interno e externo que nos impulsiona. É o combustível que nos abastece. E com a vantagem de ser aumentado a medida que se distribui.
Essa postagem era para ser como colocar fotos nas paredes. Mudou no meio do caminho. Talvez fosse esse o seu verdadeiro destino. A Arquitetura, seja interna ou externa, não existe por si só. Ela só tem sentido se despertar emoção. Se for útil. Se servir para que vivamos melhor.
Fotos: Pinterest e Google

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