Arquitetura, longevidade e o afeto como tecnologia

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Minha jornada é feita de arquitetura, escritas, buscas de pesquisadora e o ato de comunicar. Tudo junto. Amalgamado. São essas as moradas onde habito e onde meus sentimentos criam raízes.   Entre plantas baixas, livros, encontros intergeracionais e projetos coletivos, fui encontrando um eixo comum: o afeto como tecnologia humana. Esta percepção sustenta meu trabalho e define minha atuação entre a técnica e a escuta, entre os espaços e a cidade que temos e os que precisamos construir. Fundamentos Técnicos e o Olhar para o Futuro Sou arquiteta formada pela UFRGS (1982), com especialização em Engenharia de Produção focada na construção civil pela mesma instituição (1998). Esta base técnica me permite atuar com precisão na criação de ambientes seguros, onde o desenho arquitetônico serve como suporte para a autonomia ao longo da vida.  Minha prática profissional hoje é dedicada à pesquisa em gerontoarquitetura e ao conceito de aging in place, a capacidade de viver em sua própr...

Valorizar o passado faz o presente mais bonito

Estava postando no Instagram quando me saiu essa frase de lá de dentro: 

Porque linda vida está em valorizar o passado para poder fazer um presente ainda melhor e mais bonito.
Me dei conta que muita coisa da minha vida, dos meus projetos, do meu estilo tem um quê de valorização do passado. Sempre gostei de história, sempre adorei ler e pesquisar o que foi feito, como foi feito e o que podemos aprender com isso. Já vi que pode mudar a tecnologia, pode mudar o local, mas paixões e sentimentos humanos não mudam. Somos a mesma essência de milhares de anos atrás, por mais modernos que possamos parecer ser. Quem esquece isso acaba por não entender a Vida em sua plenitude.      
Vejo muitos jovens achando que a juventude é eterna. Que o Agora vai se cristalizar no tempo e nunca passar. Vã tolice! O que temos por fora muda e muito. Por isso também achei de extremo mau gosto uma modelo se "fantasiar" de velha para uma festa do Dia das Bruxas. Ser velho em aparência não é assustador. Um jovem achar que é, sim.
Com os ambientes também não é diferente. Os estilos de agora, os "up to dates" do momento vão passar e daqui uns anos vamos olha-los e muitas vezes morrer de rir. Até que talvez, mais uns anos, nossos netos os valorizem novamente. A vida é um ciclo
Costumamos reverenciar muito o que é considerado de valor. Chamamos de raridades ou vintage. Ou muitas vezes fabricamos peças modernas com cara de antigas, os chamados objetos retrô. Mas nem sempre temos o mesmo comportamento com as pessoas. Corremos apressados e esquecemos de escutar, rimos dos velhinhos que contam casos e casos na fila do banco, muitos ainda reclamam das vagas de idosos. Não se levantam para dar um lugar no ônibus, no metrô. Enchem a boca para falar da cultura e da educação em outros lugares mas se esquecem de ser educados. Meu desejo secreto para quem faz uma grosseria para alguém mais idoso é que nunca chegue lá. Porque a velhice é o preço que se paga para não partir antes.
Quem vê os descolados do momento falando ao celular e usando um fone semelhante aos telefones antigos, acha muito charmoso e nem sabe que eles já foram considerados cafonas ou fora de moda um período. Faz parte da característica humana por mudanças. Uma geração vem com ideias novas e questionando as passadas justamente para que o mundo se mova, se transforme. Se para melhor ou pior vamos ver depois de alguns (muitos) anos.

Quem estuda um pouco de história vai ver que ondas de liberalidade e conservadorismo se alternam nos comportamentos. Coisas que achamos muito modernas já foram feitas por antepassados. Já disse e repito: tecnologias mudam, homens e mulheres não. E não estou me referindo às pequenas mudanças individuais e sim aos macro sentimentos e inquietudes gerais.  
Velhice não é fantasia. Usar objetos vintage ou retrô não é apenas moda. É atitude, é sustentabilidade afetiva.

Pessoas que envelhecem não ficam feias. Recebem marcas do tempo e é preciso ter beleza de alma para reconhece-las e admira-las. Muito mais bonito um rosto enrugado e de olhar vivo que uma cara esticada por botox e sem expressão.

Muito mais bonita uma casa com ar de quem tem história para contar que uma que pareça um mostruário de loja.   
Expressão. Ter o que contar. Conteúdo. Isso faz toda a diferença. Sem conteúdo, garrafas servem apenas para enfeite. Vale o mesmo para pessoas. 
Fontes: Pinterest
Autor : Elenara Leitão

Comentários

  1. Nossa!! Fiquei encantada com seu post hoje, merecem aplausos!
    Todos nós envelhecemos a cada dia. Alguém que não queira envelhecer e deseja morrer jovem, nunca saberá o que é ganhar experiências, sabores e dissabores da vida. Eu desejo viver um bom bocado!
    E adoro o vintage! Quer algo mais cheio de personalidade que objetos ou tendências que sobreviveram ao longo do tempo e carregam uma história?
    Obrigada por seguir meu blog! Estou gostando muito daqui também.
    Abraço!

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  2. Obrigada Izabel!
    As pessoas vivem na ditadura da juventude, sem perceber que ela é também um estado de espírito. Por isso a importância de sensibilizar, de despertar todos os sentidos. E a Arte é um poderoso caminho para isso. Adorei teus artigos, compartilhei alguns na minha página do face
    Abraços e volte sempre.

    ResponderExcluir

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