Renomear a arquitetura: quando a teoria precisa olhar para a vida

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Há livros de arquitetura que nos ajudam a entender melhor projetos e/ou a trajetória de um profissioal. Há outros que ajudam a entender melhor a própria arquitetura.  Renomear a arquitetura em sua evolução técnica, formal e ética (Editora Olhares) , do  renomado arquiteto catalão Josep Maria Montaner, pertence à segunda categoria. Fazia um tempo que um livro de teoria não me pegava tanto para a leitura e reflexão. Um dos motivos é que, depois de tantos anos trabalhando com arquitetura, uma questão continua me acompanhando desde sempre: para quem estamos projetando? A pergunta parece simples. Talvez até óbvia. Mas basta lançar um olhar mais crítico para nossas cidades, nossas casas e nossos edifícios para perceber que esta pergunta ainda está longe de ser respondida de maneira satisfatória. Quem circula por esses espaços? Quem consegue permanecer neles? Quem é considerado quando uma calçada é desenhada, quando uma moradia é planejada, quando se define a altura de uma banca...

Motéis e suítes - considerações

Não pensem que projetar motéis e suas suítes seja uma atividade muito fácil. Basta ver as existentes. Essa ideia da postagem me veio de uma leitura de madrugada. Uma amiga tuitou uma matéria que fez em um blog seu. Tecia comentários - super divertidos - sobre suítes de motéis de Porto Alegre. 

Fui fazer uma rápida pesquisa no Google e realmente, é quase tudo o que ela descreve. Algo não tão "moteloso" como a toda rosa abaixo. Que ganhou um prêmio aliás como design mais ousado numa casa cor da vida. Me desculpem a franqueza mas ela me parece reproduzir todos os clichês de um local de encontros....
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Só por curiosidade descobri que existe até motel para cachorros. Mas para que existem esses locais de alta rotatividade? Além dos motivos óbvios, de encontros amorosos, eles representam uma fuga do cotidiano. Por isso o apelo da fantasia.
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Mas por trás de todo apelo erótico, existem condicionamentos no projeto para que seja funcional e rentável. Manutenção é uma palavra mágica. Móveis, revestimentos, cortinas, devem ser duráveis e de fácil limpeza. Lembrem que são lavados quase de hora em hora. Sem falar nas atividades que são executadas no seu interior e que muitas vezes acabam danificando alguma coisa....
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Além dos condicionantes que os órgãos públicos estabelecem, há a questão estética. Em geral eles são feitos baseados em um apelo erótico meio clichê. Camas redondas - do tipo que não se usa em casa. Muito espelho para que as pessoas possam se ver. E ao parceiro. Ou aos parceiros. Luzes, pistas de dança, vários tipos de cenários para que as pessoas possam esquecer o dia a dia. 
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Mais bonitos ou mais caricatos, eles devem transparecer exatamente essa fantasia. Uma colega me disse que lhe foi pedido em um projeto de motel que ele parecesse ser luxuoso para agradar as mulheres. E ao mesmo tempo de custo enxuto para agradar aos homens. Bem machista. A bem da verdade isso esse comentário já tem um tempo. Hoje os tempos são outros.
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Motéis já contam com economia de energia através de energia solar, tem suítes com acessibilidade, alguns tem apelo ecologico  

Digamos que seja uma tendência de enxugar despesas e tornar o negócio mais rentável. Apesar da alta rotatividade, um motel tem muitas despesas. O uso de condicionadores artificiais é alto, o consumo de água também. A manutenção é bem complicada também. Essa equação entre renda e despesa é vital em qualquer negócio.
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Por isso vale tudo para chamar os clientes. Colocar um céu como pista de dança ou um campo de futebol para os aficionados. Vender fantasia é afinal o grande diferencial. Vale a pena investir nele. Veja AQUI dicas se quer montar um motel.
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Autor : Elenara Leitão

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