Quando o clima muda, quem cuida de quem envelhece?

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Gosto de caminhar pelas ruas de minha cidade. Moro há 50 anos nesta Porto que já foi mais alegre. Envelheci caminhando pelas lombas e ruas que eram corredores verdes, luta de quem subia em árvores e das pessoas que se reuniam aos vizinhos para lutar pelo seu entorno. A cidade também envelheceu. As concepções urbanas de conquistas ambientais meio que se perdem na memória dos transeuntes apressados. Dizer um bom dia já causa mais espanto que sorrisos. Todos correm na cidade que acumula poças de água em dias de chuva cada vez mais frequentes. E podas cada vez mais catastróficas. Temo imaginar como será no verão.  Pelo que leio dos verões em outros hemisférios, há cada vez mais ondas extremas. Fico imaginando onde encontrar sombras, cada vez mais escassas. Assim como bancos públicos, sem falar das calçadas com seus  desníveis conhecidos, aqueles que a gente aprende a evitar depois de alguns tropeços. Imagine os novos. Aqueles consertos de empresas, meio mal feitos, que logo são de...

Biomimética - aprendendo com a natureza

Fonte
Bios (Vida) + Mimesis (imitação) deram origem à Biomimética , uma área da ciência que procura aprender com a natureza. Mas mais que imitação, ela procura aprender com a natureza. Um exemplo para a arquitetura é essa pesquisa onde a pele dos animais serve de fonte de inspiração para projetos de superfícies de edificações. 
Fonte
A natureza é pródiga em soluções, ela é um sucesso em termos de adaptabilidade e sobrevivência. (Pelo menos até agora ainda não conseguimos destruí-la). Ela tece seus caminhos por ciclos que se conectam formando uma grande rede que interage numa complexa harmonia. 

 A biomimética não consiste em propor formas de aproximação orgânica à arquitetura, ou de reinterpretar poeticamente a natureza: não se trata de desenvolver metáforas arquitetônicas da natureza. Não penso que os edifícios tenham que se assemelhar a plantas ou organismos biológicos mas sim acredito que podem funcionar como eles: podem mover-se, transferir ar e umidade, filtrar poluição, reorientar suas peles, modificar o calor e o frio, alertar aos ocupantes de mudar as condições sociais e meio-ambientais…etc.”.
Dennis Dollens

Aqui no Brasil temos como exemplo o trabalho de Marko Brajovic, um arquiteto croata que estudou em Veneza e Barcelona e mora aqui, tendo feito pesquisas na Amazônia (vide video abaixo). Ele desenvolve um trabalho bem fascinante em bambu, um material bastante versátil e de baixo impacto ambiental. É dele o projeto desse espaço de meditação. Aliás foi esse projeto que gerou esse post, instigação do colega Oscar Muller.
Espaço de meditação em bambu
Leia mais sobre Biomimética nos links abaixo:

Aliás o Oscar Muller nos brinda com as seguintes palavras sobre o video acima


"Neste vídeo do TEDxSudeste, Fred Gelli traça interessante paralelo entre nossas cidades e os bancos de corais. Assim como os humanos e as cidades, os peixes se concentram nestas áreas, usando toda a sorte de estratégias para a sobrevivência, e o desenho resultante nos dois casos tem uma similaridade impressionante. A biomimética resgata o valor do "modus operandi" holístico, econômico e cíclico próprio da natureza, que ainda não adotamos como imprescindível ao pensar na sobrevivência do bicho homem no planeta (em especial no planejamento dos nossos aglomerados urbanos), só posso arriscar que por força da inércia de um pensamento cartesiano, que há muito já sabemos ultrapassado. Ora, todos sabemos da falta de planejamento, e da perversa equação que leva a isto, que faz vítima as nossas cidades. No caso de Sampa ainda há o agravante do tamanho, e de uma situação tão caótica, que nossos legisladores e administradores estão sempre às voltas com emergências, são obrigados a correr atrás do prejuízo, e assim tem o foco sempre no passado, ao invés de trabalhar para o futuro. Mas mesmo quando acontece o acerto, mesmo quando este logra ser adotado pela sociedade, e mesmo até quando se fazem leis a suportá-lo, não há garantia de sucesso ou permanência, pois ao longo do tempo há a burla ou não aplicação da lei, os interesses escusos, a inércia do status quo, e inúmeros outros fatores competindo contra a mudança. No meu entender, para obter sucesso a longo prazo não basta encontrar a porta aberta do poder para incidir, nem uma administração disposta a realizar, é preciso fazê-lo de sorte a criar uma tendência que gere uma espiral positiva, cuja inércia garanta sua permanência. Ninguém melhor para nos ensinar como, que a mãe natureza: com ciclos holísticos e econômicos."   

Comentários

  1. Elenara,

    parabéns!

    Que post profissional! Dá uma visão breve, mas bem completa e acessível sobre o assunto.

    Tens certeza de que não és jornalista?

    ResponderExcluir

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