O quanto as cidades são seguras para mulheres?

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Estava em uma conversa em um aplicativo de mensagens (aquele mesmo que quase todos usam) quando surgiu o assunto sobre uma rua bem famosa daqui. E eu disse que não me sentia segura ao andar por ela. Que tinha uma percepção de insegurança. E a resposta foi que seria talvez uma visão pessoal. Como sei que a visão (e experiência) das mulheres sobre o que é uma cidade segura pode ser diferente das visões masculinas, fui pesquisar a respeito em artigos acadêmicos e governamentais recentes para entender mais sobre a realidade. É mesmo percepção pessoal. Ou.... Pesquisa do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Instituto Locomotiva, divulgada em setembro de 2024, mostrou um dado alarmante: que 97% das brasileiras sentem medo de sofrer violência quando se deslocam pela cidade. A mesma pesquisa aponta que 71% das mulheres já sofreram algum tipo de violência durante seus deslocamentos urbanos. Entre mulheres negras e LBT, os índices sobem ainda mais.  Isso não é sensação isolada. Se per...

Biomimética - aprendendo com a natureza

Fonte
Bios (Vida) + Mimesis (imitação) deram origem à Biomimética , uma área da ciência que procura aprender com a natureza. Mas mais que imitação, ela procura aprender com a natureza. Um exemplo para a arquitetura é essa pesquisa onde a pele dos animais serve de fonte de inspiração para projetos de superfícies de edificações. 
Fonte
A natureza é pródiga em soluções, ela é um sucesso em termos de adaptabilidade e sobrevivência. (Pelo menos até agora ainda não conseguimos destruí-la). Ela tece seus caminhos por ciclos que se conectam formando uma grande rede que interage numa complexa harmonia. 

 A biomimética não consiste em propor formas de aproximação orgânica à arquitetura, ou de reinterpretar poeticamente a natureza: não se trata de desenvolver metáforas arquitetônicas da natureza. Não penso que os edifícios tenham que se assemelhar a plantas ou organismos biológicos mas sim acredito que podem funcionar como eles: podem mover-se, transferir ar e umidade, filtrar poluição, reorientar suas peles, modificar o calor e o frio, alertar aos ocupantes de mudar as condições sociais e meio-ambientais…etc.”.
Dennis Dollens

Aqui no Brasil temos como exemplo o trabalho de Marko Brajovic, um arquiteto croata que estudou em Veneza e Barcelona e mora aqui, tendo feito pesquisas na Amazônia (vide video abaixo). Ele desenvolve um trabalho bem fascinante em bambu, um material bastante versátil e de baixo impacto ambiental. É dele o projeto desse espaço de meditação. Aliás foi esse projeto que gerou esse post, instigação do colega Oscar Muller.
Espaço de meditação em bambu
Leia mais sobre Biomimética nos links abaixo:

Aliás o Oscar Muller nos brinda com as seguintes palavras sobre o video acima


"Neste vídeo do TEDxSudeste, Fred Gelli traça interessante paralelo entre nossas cidades e os bancos de corais. Assim como os humanos e as cidades, os peixes se concentram nestas áreas, usando toda a sorte de estratégias para a sobrevivência, e o desenho resultante nos dois casos tem uma similaridade impressionante. A biomimética resgata o valor do "modus operandi" holístico, econômico e cíclico próprio da natureza, que ainda não adotamos como imprescindível ao pensar na sobrevivência do bicho homem no planeta (em especial no planejamento dos nossos aglomerados urbanos), só posso arriscar que por força da inércia de um pensamento cartesiano, que há muito já sabemos ultrapassado. Ora, todos sabemos da falta de planejamento, e da perversa equação que leva a isto, que faz vítima as nossas cidades. No caso de Sampa ainda há o agravante do tamanho, e de uma situação tão caótica, que nossos legisladores e administradores estão sempre às voltas com emergências, são obrigados a correr atrás do prejuízo, e assim tem o foco sempre no passado, ao invés de trabalhar para o futuro. Mas mesmo quando acontece o acerto, mesmo quando este logra ser adotado pela sociedade, e mesmo até quando se fazem leis a suportá-lo, não há garantia de sucesso ou permanência, pois ao longo do tempo há a burla ou não aplicação da lei, os interesses escusos, a inércia do status quo, e inúmeros outros fatores competindo contra a mudança. No meu entender, para obter sucesso a longo prazo não basta encontrar a porta aberta do poder para incidir, nem uma administração disposta a realizar, é preciso fazê-lo de sorte a criar uma tendência que gere uma espiral positiva, cuja inércia garanta sua permanência. Ninguém melhor para nos ensinar como, que a mãe natureza: com ciclos holísticos e econômicos."   

Comentários

  1. Elenara,

    parabéns!

    Que post profissional! Dá uma visão breve, mas bem completa e acessível sobre o assunto.

    Tens certeza de que não és jornalista?

    ResponderExcluir

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